Geely EX2: donos revelam 5 pontos onde o hatch elétrico pode melhorar após quase um ano de comercialização no mercado brasileiro. Lançado no segundo semestre de 2024 pela Caoa Chery, o modelo conquistou a terceira posição entre os elétricos mais vendidos do país, ficando atrás apenas do BYD Dolphin Mini e do Volvo EX30. Com preço inicial de R$ 139.990 na versão Comfort e R$ 149.990 na Premium, o EX2 trouxe uma proposta acessível de mobilidade elétrica urbana. Porém, quem já dirige o hatch no dia a dia aponta características que merecem evolução.
Autonomia real abaixo do prometido em rodovias
A bateria de 37 kWh do Geely EX2 promete até 322 km de autonomia no ciclo WLTP. Na prática urbana, proprietários confirmam números próximos disso quando o uso se concentra em trajetos curtos pela cidade, com recuperação de energia nas frenagens. O problema aparece quando a rodovia entra na equação.
Em velocidades constantes de 100 a 120 km/h, a autonomia cai para cerca de 220 a 240 km, segundo relatos de donos que fazem viagens intermunicipais regulares. O motor de 68 cv e torque de 16,3 kgfm precisa trabalhar mais para manter a velocidade, porque o EX2 pesa 1.260 kg e tem aerodinâmica de hatch compacto, não de sedã otimizado para eficiência. Quem mora em regiões metropolitanas e faz bate-volta para cidades próximas sente o impacto: o planejamento de recarga vira rotina obrigatória.
A diferença entre a autonomia urbana e rodoviária no EX2 chega a 25%, percentual acima da média dos elétricos compactos vendidos no Brasil.
O Dolphin Mini, principal concorrente direto, entrega autonomia rodoviária mais consistente graças à bateria Blade de 38,88 kWh e gestão térmica superior da BYD. O EX2 usa célula LFP (fosfato de ferro-lítio) fornecida pela CATL, tecnologia confiável, mas a calibração do BMS (sistema de gerenciamento da bateria) ainda pode evoluir para extrair mais quilometragem em velocidades sustentadas.
Carregamento lento mesmo em DC
O Geely EX2 aceita carregamento em corrente contínua (DC) de até 60 kW, número que parece razoável no papel. Na prática, a curva de recarga decepciona proprietários acostumados com elétricos de marcas que investem pesado em gestão térmica. De 20% a 80%, o EX2 leva entre 35 e 40 minutos em carregadores rápidos de 60 kW, quando a temperatura ambiente está amena.
Em dias quentes acima de 30°C, comum em boa parte do Brasil, o sistema reduz a potência de entrada para proteger a bateria. O pico de 60 kW só se sustenta por poucos minutos, depois cai para 40-45 kW e estabiliza em 30 kW quando a carga ultrapassa 60%. Resultado: o tempo total de recarga pode esticar para 50 minutos ou mais.
- Carregamento AC (corrente alternada) de 6,6 kW leva 6 horas de 0 a 100%
- Wallbox doméstico de 7 kW completa a carga em cerca de 5h30
- Tomada convencional 220V com cabo de emergência: mais de 20 horas
O problema não está na capacidade do carregador embarcado, mas na ausência de pré-condicionamento ativo da bateria. Elétricos mais caros, como o Volvo EX30 (a partir de R$ 269.950), aquecem ou resfriam a bateria antes e durante a recarga rápida, mantendo a potência de entrada estável. O EX2 deixa a bateria à temperatura ambiente, o que limita a velocidade de absorção de energia quando o termômetro sobe ou desce demais.
Acabamento interno com ruídos e folgas
O interior do Geely EX2 usa plásticos rígidos na maior parte das superfícies, escolha compreensível para manter o preço competitivo. O que incomoda proprietários não é a dureza do material, mas a presença de ruídos de acabamento que aparecem depois dos primeiros meses de uso. Estalos no painel, chiados na coluna B e vibrações na tampa do porta-luvas são queixas recorrentes em grupos de donos nas redes sociais.
As folgas não comprometem a segurança estrutural do veículo, mas quebram a sensação de solidez que um carro elétrico deveria transmitir. A ausência do motor a combustão deixa o habitáculo mais silencioso, o que amplifica qualquer ruído parasita. No EX2, a vedação acústica das portas poderia ser melhor: em velocidades acima de 80 km/h, o ruído de vento nas janelas dianteiras se torna perceptível.
A versão Premium traz bancos revestidos em couro sintético e volante do mesmo material, mas o painel de instrumentos digital de 10,25 polegadas e a central multimídia de 10,25 polegadas são idênticos nas duas configurações. A interface do sistema é responsiva, com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, porém o software tem tradução incompleta para o português em alguns menus secundários, detalhe que irrita quem paga quase R$ 150 mil.
Suspensão dura demais para asfalto irregular
O Geely EX2 usa suspensão McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, configuração comum em hatches compactos. A calibração, porém, privilegia estabilidade em curvas e sacrifica conforto em pisos ruins. Quem dirige em cidades com asfalto irregular, como boa parte das capitais brasileiras, sente cada lombada e buraco de forma mais abrupta do que deveria.
A rigidez excessiva não traz ganho real de dirigibilidade, porque o EX2 tem 68 cv e foi projetado para uso urbano eficiente, não para performance esportiva. O centro de gravidade baixo, típico de elétricos com bateria no assoalho, já garante boa estabilidade em curvas sem precisar de molas tão firmes. Proprietários que vêm de hatches a combustão como Onix ou HB20 notam a diferença logo nos primeiros dias.
A suspensão do EX2 transmite impactos que carros da mesma categoria absorvem com mais eficiência, problema agravado pelos pneus 185/60 R15 de perfil baixo.
A Geely poderia calibrar a suspensão especificamente para o mercado brasileiro, como fazem fabricantes que adaptam modelos globais às condições locais. O Dolphin Mini, novamente, serve de referência: usa suspensão mais macia sem perder compostura em curvas rápidas, equilíbrio que o EX2 ainda não encontrou.
Rede de concessionárias e peças de reposição limitadas
A Caoa Chery opera a rede de distribuição do Geely EX2 no Brasil, aproveitando a infraestrutura já existente para os modelos Chery. Em teoria, isso deveria facilitar o acesso a serviços e peças. Na prática, proprietários relatam dificuldade para agendar revisões em algumas regiões e demora na chegada de componentes específicos do EX2.
O modelo tem apenas 14 concessionárias autorizadas em todo o país, concentradas em capitais e grandes centros urbanos. Quem mora em cidades de médio porte ou interior precisa se deslocar para fazer manutenção preventiva, situação que não acontece com marcas consolidadas no segmento de elétricos. A BYD, principal concorrente, já ultrapassou 100 pontos de venda e assistência no Brasil.
- Primeira revisão: 5.000 km ou 6 meses (gratuita)
- Revisões seguintes: a cada 10.000 km ou 12 meses
- Garantia: 6 anos para o veículo, 8 anos ou 150.000 km para bateria
O custo médio de manutenção preventiva fica em torno de R$ 400 a R$ 600, valor abaixo de hatches a combustão equivalentes. O problema surge quando há necessidade de trocar peças de carroceria ou componentes eletrônicos específicos: o prazo de importação pode passar de 60 dias, deixando o carro parado por tempo excessivo. A Caoa promete ampliar o estoque de peças no Brasil, mas a execução ainda está em andamento.
Seguro mais caro que hatches convencionais
O seguro do Geely EX2 custa entre R$ 4.500 e R$ 6.800 por ano, dependendo do perfil do condutor e da região. O valor representa 3% a 4,5% do preço do veículo zero km, percentual acima da média de hatches a combustão na mesma faixa de preço. Seguradoras cobram mais porque a rede de reparação de elétricos ainda é restrita e peças específicas têm custo elevado.
A bateria, componente mais caro do carro, não é coberta por seguros convencionais em caso de danos por enchente ou acidente grave. Algumas apólices oferecem cobertura adicional para a bateria mediante pagamento de prêmio extra, o que eleva ainda mais o custo anual. Proprietários que financiaram o EX2 e precisam de seguro total sentem o impacto no orçamento mensal.
O IPVA varia conforme o estado, mas a maioria dos proprietários paga entre R$ 2.800 e R$ 4.200 por ano (alíquota de 2% a 3% sobre o valor venal). Alguns estados oferecem isenção parcial ou total de IPVA para elétricos, benefício que reduz o custo de propriedade. No Rio de Janeiro, por exemplo, o EX2 tem desconto de 50% no imposto até 2025.
O que a Geely pode fazer na próxima atualização
A fabricante chinesa tem histórico de evoluir modelos rapidamente com base no feedback do mercado. O EX2 vendido na China já passou por duas atualizações de software que melhoraram a gestão térmica da bateria e ajustaram a calibração do acelerador. A versão brasileira ainda não recebeu essas melhorias via OTA (atualização remota), recurso que o carro tem mas a Caoa não ativou completamente.
A solução para autonomia rodoviária passa por otimização do BMS e possível aumento da capacidade da bateria em futuras versões. A Geely já oferece o EX2 com bateria de 42 kWh em outros mercados, configuração que poderia chegar ao Brasil como opção premium. O carregamento mais rápido exige pré-condicionamento ativo, upgrade que demanda hardware adicional e pode encarecer o modelo.
Ruídos de acabamento e suspensão dura são problemas solucionáveis com ajustes de linha de produção e recalibração. A Caoa pode pressionar a matriz chinesa para adaptar o EX2 às condições brasileiras, como já fez com modelos Chery que ganharam suspensão específica para nosso mercado. A ampliação da rede de concessionárias depende de investimento local, movimento que a marca precisa acelerar para competir de igual com BYD e GWM.
Perguntas frequentes sobre melhorias no Geely EX2
A autonomia do Geely EX2 melhora com atualização de software?
Sim, atualizações de software podem otimizar a gestão de energia e melhorar a autonomia em até 5% a 8%. A Geely já liberou updates na China que ajustam a curva de recuperação de energia e a calibração do acelerador. No Brasil, a Caoa ainda não disponibilizou essas atualizações via OTA para a frota em circulação.
Quanto custa trocar a bateria do EX2 fora da garantia?
A bateria tem garantia de 8 anos ou 150.000 km, período que cobre a maioria dos proprietários. Fora da garantia, o custo estimado de substituição fica entre R$ 35.000 e R$ 45.000, valor próximo a 30% do preço do carro novo. A Geely não divulga tabela oficial de preços de bateria avulsa no Brasil.
O Geely EX2 tem recall no Brasil?
Até o momento, não há recall registrado no sistema do PROCON ou DENATRAN para o EX2. O modelo é recente no mercado brasileiro e ainda não acumulou quilometragem suficiente para revelar defeitos de fabricação em larga escala. Na China, houve recall em 2023 para ajuste de software do freio regenerativo em lote específico.
Dá para instalar carregador mais potente no EX2?
Não, o carregador embarcado de 6,6 kW é o limite do hardware instalado de fábrica. Trocar por unidade de maior potência exigiria modificação que anula garantia e pode comprometer a segurança elétrica do veículo. A solução para carga mais rápida é usar estações DC de 60 kW, já compatíveis com o modelo.
A suspensão do EX2 pode ser ajustada em concessionária?
A calibração da suspensão não é ajustável por software, apenas com troca de componentes mecânicos. Algumas oficinas especializadas oferecem instalação de amortecedores de marcas como Monroe ou Cofap com calibração mais macia, mas a intervenção pode afetar a garantia de fábrica. O ideal é consultar a Caoa antes de qualquer modificação.
Vale a pena comprar o Geely EX2 mesmo com esses pontos de melhoria?
Depende do perfil de uso. Para trajetos urbanos de até 100 km por dia, com recarga noturna em casa, o EX2 entrega custo operacional baixo e isenção de rodízio em São Paulo. Quem faz viagens longas frequentes ou mora longe de concessionária autorizada deve considerar alternativas como o Dolphin Mini, que tem rede de assistência maior e autonomia rodoviária mais consistente. O preço do EX2 continua competitivo, mas a experiência de propriedade ainda precisa amadurecer no mercado brasileiro.








