Chery registra desenhos de nova picape para enfrentar Fiat Toro e Ram Rampage

A Chery registra desenhos de nova picape para enfrentar Fiat Toro e Ram Rampage no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), confirmando a intenção da marca chinesa de entrar no segmento de picapes intermediárias no mercado brasileiro. O modelo utiliza plataforma monobloco derivada dos SUVs Tiggo 7 e Tiggo 8, apostando em motorização híbrida e posicionamento competitivo em preço para desafiar as líderes do segmento nacional.

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O registro foi identificado por profissionais do setor automotivo que acompanham os movimentos da Chery no Brasil, onde a marca já opera com SUVs e sedãs desde 2014. A picape representa um passo estratégico para ampliar presença em um nicho que movimenta cerca de 90 mil unidades anuais no país, segundo dados da ANFAVEA de 2023. Toro e Rampage dominam esse mercado com 65% de participação combinada, mas a chegada de uma alternativa com tecnologia híbrida e preço agressivo pode redistribuir as cartas.

Plataforma monobloco e base compartilhada com Tiggo 7 e Tiggo 8

A nova picape da Chery utiliza arquitetura monobloco, ou seja, carroceria e chassi integrados em uma única peça estrutural. Essa construção é a mesma adotada pela Fiat Toro desde 2016 e pela Ram Rampage desde 2023, diferente das picapes tradicionais de chassi em escada como Hilux e Ranger. A vantagem está no conforto de rodagem, menor peso e melhor eficiência energética, porque a estrutura monobloco reduz vibrações e permite ajustes mais refinados de suspensão.

O compartilhamento de componentes com os SUVs Tiggo 7 e Tiggo 8 traz economia de escala para a Chery. Motor, câmbio, suspensão dianteira e eletrônica embarcada são aproveitados da linha existente, o que reduz custos de desenvolvimento e produção. Na prática, isso permite à fabricante chegar ao mercado com preço mais competitivo sem sacrificar tecnologia ou acabamento. Vale notar que tanto Tiggo 7 quanto Tiggo 8 já rodam no Brasil com aprovação do INMETRO e histórico de vendas consolidado, o que facilita a homologação da picape.

A distância entre-eixos estimada fica entre 2.710 mm e 2.745 mm, baseada nas medidas dos SUVs que servem de plataforma. Isso coloca a picape Chery no mesmo patamar dimensional da Toro (2.700 mm) e ligeiramente abaixo da Rampage (2.760 mm). O comprimento total deve ficar próximo de 5.300 mm, com caçamba útil estimada em 1.400 mm a 1.500 mm quando equipada com cabine dupla de cinco lugares.

Motorização híbrida: diferencial técnico e comercial

A Chery já confirmou que a nova picape chegará ao Brasil com opções de motorização híbrida, seguindo a estratégia da marca de eletrificar gradualmente toda a linha. O sistema mais provável é o híbrido plug-in (PHEV) utilizado no Tiggo 8 Pro Max Hybrid, que combina motor 1.5 turbo flex de 156 cv com motor elétrico de 204 cv, totalizando 326 cv de potência combinada e 56,6 kgfm de torque.

Esse conjunto permite rodar até 80 km em modo 100% elétrico, segundo homologação do INMETRO para o SUV. Na picape, a autonomia elétrica pode variar porque o peso adicional da caçamba e estrutura reforçada consome mais energia. Mesmo assim, a capacidade de circular sem emissões em trajetos urbanos curtos representa vantagem real para quem usa a picape no dia a dia da cidade, não só em trabalho.

O consumo médio declarado do Tiggo 8 Pro Max Hybrid fica em 18,5 km/l no ciclo urbano do Inmetro quando a bateria está carregada, caindo para 12,3 km/l quando opera apenas com o motor a combustão. Para a picape, os números devem ficar ligeiramente abaixo por causa do arrasto aerodinâmico maior e peso adicional, mas ainda assim superiores aos 9,8 km/l da Toro 2.0 turbo diesel e 8,5 km/l da Rampage 2.2 turbodiesel na cidade.

A motorização híbrida também traz benefício fiscal em alguns estados brasileiros, com redução de até 50% no IPVA para veículos eletrificados, segundo legislação de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

Concorrência direta com Toro e Rampage: preço e posicionamento

A Fiat Toro domina o segmento de picapes intermediárias desde o lançamento, com 52.347 unidades vendidas em 2023 segundo a ANFAVEA. A Ram Rampage chegou em março de 2023 e já emplacou 18.902 unidades até dezembro do mesmo ano, conquistando rapidamente o segundo lugar. Juntas, as duas picapes da Stellantis representam mais de 70 mil unidades anuais em um mercado que movimenta cerca de 90 mil picapes médias.

A Chery entra nesse jogo com a vantagem do preço. A Toro parte de R$ 139.990 na versão Endurance 1.3 turbo flex, enquanto a Rampage começa em R$ 169.990 na configuração Laramie 2.2 turbodiesel. A expectativa do mercado é que a picape chinesa chegue entre R$ 180 mil e R$ 220 mil nas versões híbridas mais equipadas, posicionamento que coloca o modelo acima da Toro de entrada, mas com tecnologia superior e consumo menor.

O público-alvo da nova Chery não é o comprador que busca picape para trabalho pesado em fazenda ou canteiro de obras. A construção monobloco limita a capacidade de carga e reboque quando comparada a modelos de chassi em escada. A Toro carrega até 1.000 kg de carga útil e reboca 2.500 kg, números que a Chery deve igualar ou ficar ligeiramente abaixo. O foco está no cliente urbano que quer design de picape, conforto de SUV e economia de combustível, perfil que representa 60% dos compradores de Toro segundo pesquisa da Fiat divulgada em 2022.

Equipamentos e tecnologia embarcada

Baseada nos Tiggo 7 e Tiggo 8, a picape da Chery deve trazer o mesmo nível de equipamentos dos SUVs. Isso inclui central multimídia de 12,3 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, painel digital de 10,25 polegadas, carregador de celular por indução, teto solar panorâmico e sistema de som com oito alto-falantes. A versão topo de linha provavelmente terá pacote ADAS com controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, alerta de ponto cego e assistente de permanência em faixa.

Esses itens colocam a Chery tecnologicamente à frente da Toro, que ainda utiliza central multimídia de 10,1 polegadas e não oferece ADAS completo nem nas versões Ultra. A Rampage equipara em tecnologia embarcada, mas cobra mais caro por isso. A estratégia da Chery é clara: oferecer equipamento de picape premium com preço de picape intermediária, repetindo a fórmula que funcionou com os SUVs da marca no Brasil.

Cronograma de lançamento e produção nacional

O registro no INPI não garante lançamento imediato, mas indica que a Chery está em fase avançada de planejamento. O processo de homologação junto ao INMETRO e DENATRAN leva de seis a doze meses após o registro de design, o que coloca o lançamento comercial entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026. A marca já sinalizou aos concessionários que a picape faz parte do plano de produtos para 2025, segundo informações de representantes da rede de vendas.

A produção deve acontecer na fábrica da Chery em Jacareí (SP), que já monta os SUVs Tiggo 5X, Tiggo 7 e Tiggo 8. A planta tem capacidade instalada de 150 mil veículos ao ano, operando atualmente com 60% de ocupação. A inclusão da picape na linha de montagem exige investimento em ferramental específico para a caçamba e reforços estruturais, mas não demanda nova linha de produção porque a base mecânica é compartilhada.

A nacionalização de componentes é estratégica para a Chery competir em preço. Atualmente, os SUVs da marca têm cerca de 30% de conteúdo nacional, índice que a fabricante pretende elevar para 50% até 2026 segundo declarações do CEO da Chery Brasil à imprensa especializada em 2023. Itens como suspensão, sistema de escapamento, bancos e parte da eletrônica já têm fornecedores nacionais mapeados, o que reduz custo e vulnerabilidade cambial.

Desafios de infraestrutura para híbridos no Brasil

A aposta em motorização híbrida plug-in traz desafio prático: a infraestrutura de recarga no Brasil ainda é limitada. Segundo dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), o país tinha 5.312 pontos de recarga públicos em dezembro de 2023, concentrados em capitais e regiões Sul e Sudeste. Para quem mora em apartamento sem garagem com tomada, a recarga diária da bateria se torna complicada.

A Chery precisará educar o mercado sobre o uso do híbrido plug-in, mostrando que o veículo funciona normalmente mesmo sem recarregar a bateria, operando como híbrido convencional. A autonomia elétrica de 80 km atende bem quem tem como recarregar em casa ou no trabalho, mas não pode ser o único argumento de venda porque boa parte dos compradores não terá essa facilidade nos primeiros anos.

Perguntas frequentes sobre a nova picape Chery

Quando a nova picape da Chery chega ao Brasil?

A expectativa é que o lançamento aconteça entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, após conclusão dos processos de homologação junto ao INMETRO e DENATRAN. O registro no INPI indica que o projeto está em fase avançada de desenvolvimento.

Qual será o preço da picape Chery híbrida?

Ainda não há confirmação oficial, mas a projeção de mercado aponta para faixa entre R$ 180 mil e R$ 220 mil nas versões híbridas plug-in mais equipadas. Esse posicionamento coloca o modelo acima da Fiat Toro de entrada, mas com tecnologia e equipamentos superiores.

A picape Chery terá tração 4×4?

Os desenhos registrados não confirmam, mas a plataforma dos SUVs Tiggo 7 e Tiggo 8 já oferece sistema de tração integral inteligente. A versão híbrida plug-in pode utilizar motor elétrico no eixo traseiro para criar tração nas quatro rodas, solução adotada por outros fabricantes em modelos eletrificados.

Qual a capacidade de carga e reboque da nova picape?

Baseada em construção monobloco similar à Fiat Toro, a expectativa é de carga útil entre 900 kg e 1.000 kg, com capacidade de reboque próxima de 2.500 kg. Esses números atendem bem o uso urbano e lazer, mas ficam abaixo de picapes de chassi em escada como Hilux e Ranger.

A picape será produzida no Brasil?

Sim, a produção deve acontecer na fábrica da Chery em Jacareí (SP), que já monta os SUVs da marca. A nacionalização de componentes é estratégica para competitividade de preço e deve atingir cerca de 50% até o lançamento.

O motor híbrido funciona com etanol?

Sim, o motor 1.5 turbo do sistema híbrido é flex, ou seja, aceita gasolina e etanol em qualquer proporção. Essa característica é fundamental para o mercado brasileiro e diferencia a Chery de concorrentes importados que oferecem híbridos apenas a gasolina.

A chegada da picape Chery ao mercado brasileiro representa mais que um novo modelo: indica a maturidade da indústria automotiva chinesa no país e a disposição de enfrentar fabricantes tradicionais em segmentos consolidados. Para quem acompanha o setor, vale ficar atento aos próximos passos da marca e às reações de Fiat e Ram, que podem antecipar atualizações ou ajustes de preço para manter liderança. O comprador que busca picape intermediária ganha com a competição, porque mais opções significam melhor custo-benefício e tecnologia mais acessível.

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