Morgan volta aos cupês com modelo limitado que acelera como superesportivo. A fabricante britânica apresenta o Midsummer Coupé, uma edição especial de apenas 50 unidades que resgata a tradição dos cupês clássicos da marca com performance de carro moderno de alta potência. O modelo equipa motor BMW de 3.0 litros turbo de seis cilindros em linha, entregando 425 cv e 550 Nm de torque, números que colocam o artesanal britânico no patamar de aceleração de superesportivos estabelecidos. A estrutura mantém a construção em madeira de freixo, característica que a Morgan preserva desde 1909, agora combinada com alumínio aeroespacial e fibra de carbono.
Motor BMW entrega 425 cv em chassi que pesa menos de 1.100 kg
O coração do Midsummer Coupé vem da BMW: motor B58 3.0 turbo de seis cilindros em linha, o mesmo bloco usado no Supra e no M340i. Na calibração Morgan, entrega 425 cv a 5.500 rpm e 550 Nm de torque entre 1.500 e 5.200 rpm. O câmbio é manual de seis marchas, sem opção automática, conectado a um diferencial traseiro de deslizamento limitado. A Morgan informa aceleração de 0 a 100 km/h em 4,2 segundos e velocidade máxima limitada eletronicamente em 250 km/h.
A relação peso-potência explica o desempenho: o cupê pesa 1.075 kg em ordem de marcha, segundo dados oficiais da fábrica. Isso resulta em 2,53 kg por cavalo, proporção comparável à de esportivos puros como Porsche 718 Cayman GTS 4.0 (2,78 kg/cv) e Lotus Emira V6 (2,62 kg/cv). O chassi de alumínio CX-Generation, desenvolvido pela própria Morgan, usa perfis extrudados e painéis estampados unidos por adesivo estrutural e rebites. A estrutura em madeira de freixo, tratada e moldada à mão na fábrica de Malvern, compõe o esqueleto sobre o qual os painéis de alumínio são fixados.
O Midsummer Coupé combina a tradição de construção artesanal da Morgan, com mais de um século de história, e componentes mecânicos modernos de fornecedores premium como BMW e ZF.
Suspensão independente e freios Brembo de quatro pistões
A suspensão é independente nas quatro rodas, com braços duplos triangulares (double wishbone) na dianteira e traseira, molas helicoidais e amortecedores ajustáveis Nitron. As barras estabilizadoras são ajustáveis em três posições de rigidez. Os freios são discos ventilados de 362 mm na frente e 330 mm atrás, com pinças Brembo de quatro pistões em ambos os eixos. As rodas forjadas de 19 polegadas calçam pneus Michelin Pilot Sport 4S nas medidas 235/35 R19 (dianteira) e 265/35 R19 (traseira).
A Morgan oferece três modos de condução selecionáveis por botão no painel: Comfort, Sport e Sport Plus. Cada modo altera a resposta do acelerador, a dureza dos amortecedores adaptativos e o ponto de intervenção do controle de estabilidade. No modo Sport Plus, o ESC permite maior ângulo de deriva antes de intervir, característica útil em pista ou estrada sinuosa com asfalto seco.
Design resgata cupês clássicos com teto fixo e linhas dos anos 1960
O Midsummer Coupé é o primeiro modelo de teto fixo da linha atual da Morgan desde o descontinuado Aero 8 Coupé, que saiu de linha em 2018. O design remete aos cupês GT britânicos dos anos 1960, com capô longo, para-brisa inclinado e teto baixo que desce suavemente até a traseira curta. A grade frontal vertical mantém o padrão Morgan, com barras cromadas e faróis redondos de LED. As saídas de ar laterais nas carenagens dianteiras são funcionais, extraindo calor do compartimento do motor.
O teto é estrutural, fabricado em fibra de carbono com acabamento à vista na parte interna. A Morgan oferece cinco esquemas de pintura externa exclusivos para o Midsummer, todos com nomes inspirados em cores tradicionais britânicas: Moonlight Silver, Racing Green, Midnight Blue, Sunset Orange e Pearl White. Cada pintura passa por processo de aplicação manual em sete camadas, com lixamento úmido entre demãos e polimento final à mão.
Acabamento interno combina couro Bridge of Weir e alumínio usinado
O interior do Midsummer Coupé usa couro escocês Bridge of Weir curtido ao vegetal, fornecedor que equipa Rolls-Royce e Bentley. Os bancos são do tipo balde, com estrutura de fibra de carbono e ajustes manuais de posição e inclinação. O volante de três raios tem diâmetro de 360 mm, aro revestido em couro e cubo em alumínio usinado. O painel de instrumentos combina dois mostradores analógicos (velocímetro e tacômetro) com tela TFT colorida de 4,2 polegadas no centro, que exibe temperatura do motor, pressão de óleo, voltagem da bateria e cronômetro de volta.
O console central traz acabamento em alumínio escovado com gravação a laser do número da unidade (1 de 50 até 50 de 50). A alavanca do câmbio é curta, usinada em alumínio sólido, com coifa de couro costurada à mão. O sistema de som é assinado pela Sennheiser, com seis alto-falantes e subwoofer de 150 watts integrado ao painel traseiro. A Morgan não oferece tela de infotainment touch: o controle do sistema de áudio e conectividade Bluetooth acontece por botões físicos e encoder rotativo.
Apenas 50 unidades produzidas entre junho e dezembro de 2025
A Morgan limitou a produção do Midsummer Coupé a 50 unidades numeradas, fabricadas entre junho e dezembro de 2025 na fábrica de Malvern Link, Inglaterra. Cada unidade leva aproximadamente 28 dias úteis de construção, com 18 artesãos envolvidos no processo de montagem manual. A estrutura de madeira de freixo é moldada a vapor, técnica que a Morgan usa desde a fundação da marca em 1909, e leva cinco dias para secar e estabilizar antes de receber tratamento impermeabilizante e fixação ao chassi de alumínio.
O preço na Europa é de £195.000 libras esterlinas (aproximadamente R$ 1,48 milhão na cotação de abril de 2025), valor que posiciona o Midsummer Coupé acima de esportivos estabelecidos como Porsche 911 Carrera S (£113.000) e Aston Martin Vantage (£155.000). A Morgan justifica o preço pela exclusividade, construção artesanal e acabamento personalizado. Todas as 50 unidades já têm reservas confirmadas, segundo comunicado oficial da fábrica divulgado em março de 2025.
A Morgan continua sendo a única fabricante de automóveis que usa estrutura de madeira tratada à mão como elemento estrutural primário, tradição mantida por quatro gerações da família Morgan.
Garantia de três anos e manutenção na rede de concessionárias Morgan
A garantia cobre três anos sem limite de quilometragem para defeitos de fabricação. Componentes mecânicos BMW (motor, câmbio, diferencial) seguem a garantia do fornecedor, com peças de reposição disponíveis na rede BMW. A manutenção programada acontece a cada 15.000 km ou 12 meses, com revisões realizadas em concessionárias autorizadas Morgan na Europa, Estados Unidos e Ásia. O custo médio de revisão anual na rede europeia é de £1.200 a £1.800, segundo dados de proprietários de modelos Morgan atuais publicados no fórum oficial da marca.
O consumo médio homologado no ciclo WLTP é de 9,8 km/l (10,2 litros por 100 km) em uso combinado, com emissões de CO2 de 234 g/km. Na estrada, em velocidade constante de 120 km/h, a Morgan estima consumo de 12 km/l. O tanque de combustível tem capacidade de 55 litros, resultando em autonomia teórica de 540 km em rodovia e 380 km em uso misto.
Mercado brasileiro não recebe Morgan desde 2014
A Morgan não tem importador oficial no Brasil desde 2014, quando a Eurobike, representante da marca em São Paulo, encerrou as atividades. Entre 2010 e 2014, a importadora trouxe aproximadamente 15 unidades de modelos como 3 Wheeler, Plus 8 e Roadster, vendidas entre R$ 380 mil e R$ 650 mil. A ausência de rede de assistência técnica e a dificuldade de importação de peças específicas (principalmente componentes de madeira tratada) inviabilizaram a continuidade da operação.
Entusiastas brasileiros que desejam um Morgan atual precisam importar por conta própria, processo que envolve pagamento de imposto de importação de 35%, IPI de 25%, PIS de 2,1%, COFINS de 9,65% e ICMS estadual entre 12% e 18%. A carga tributária total pode ultrapassar 100% do valor FOB do veículo. Além disso, carros com mais de 30 anos de fabricação têm processo de nacionalização simplificado, o que torna modelos Morgan clássicos (anteriores a 1995) mais viáveis para importação de colecionador.
Concorrentes diretos no segmento de esportivos artesanais
O Midsummer Coupé compete com outros esportivos de produção limitada e construção artesanal. O Lotus Emira V6, último modelo da Lotus com motor a combustão, entrega 400 cv do V6 3.5 Toyota, pesa 1.405 kg e custa £75.995. O Alpine A110 S, cupê francês de motor central, tem 300 cv do 1.8 turbo Renault, pesa 1.114 kg e sai por £60.810. O Caterham Seven 620R, roadster britânico de inspiração clássica, equipa motor Ford 2.0 turbo de 310 cv, pesa 572 kg e custa £66.995.
A diferença do Morgan está na abordagem: enquanto Lotus, Alpine e Caterham focam em engenharia moderna de alta eficiência, a Morgan preserva métodos artesanais de 1909 combinados com mecânica contemporânea. O comprador do Midsummer Coupé paga pela exclusividade de ter um carro construído à mão, com chassi de madeira moldada a vapor, em tiragem de apenas 50 unidades numeradas. A depreciação tende a ser menor que a de esportivos convencionais: modelos Morgan limitados de gerações anteriores, como o Aero 8 GT de 2016 (limitado a 8 unidades), valorizaram entre 15% e 25% nos últimos cinco anos no mercado europeu de seminovos.
Perguntas frequentes sobre o Morgan Midsummer Coupé
Quantas unidades do Morgan Midsummer Coupé serão produzidas?
A Morgan limitou a produção do Midsummer Coupé a 50 unidades numeradas, fabricadas entre junho e dezembro de 2025 na fábrica de Malvern Link, Inglaterra. Todas as unidades já têm reservas confirmadas desde março de 2025.
Qual motor equipa o Morgan Midsummer Coupé?
O Midsummer Coupé usa motor BMW B58 3.0 turbo de seis cilindros em linha, entregando 425 cv a 5.500 rpm e 550 Nm de torque entre 1.500 e 5.200 rpm. O mesmo bloco equipa BMW M340i e Toyota Supra. O câmbio é manual de seis marchas com diferencial traseiro de deslizamento limitado.
Quanto custa o Morgan Midsummer Coupé?
O preço na Europa é de £195.000 libras esterlinas, aproximadamente R$ 1,48 milhão na cotação de abril de 2025. O valor posiciona o modelo acima de esportivos como Porsche 911 Carrera S e próximo de Aston Martin Vantage.
Por que a Morgan ainda usa estrutura de madeira?
A estrutura de madeira de freixo moldada a vapor é tradição da Morgan desde 1909, mantida por quatro gerações da família fundadora. A madeira tratada oferece rigidez estrutural adequada quando combinada com chassi de alumínio, pesa menos que aço e permite reparo artesanal. A Morgan é a única fabricante de automóveis que preserva esse método construtivo.
O Morgan Midsummer Coupé será vendido no Brasil?
Não há importador oficial da Morgan no Brasil desde 2014. Entusiastas que desejam o modelo precisam importar por conta própria, processo que envolve carga tributária total acima de 100% do valor FOB e ausência de rede de assistência técnica autorizada no país.
Qual a aceleração e velocidade máxima do Midsummer Coupé?
A Morgan informa aceleração de 0 a 100 km/h em 4,2 segundos e velocidade máxima limitada eletronicamente em 250 km/h. O desempenho vem da combinação de 425 cv com peso de apenas 1.075 kg, resultando em relação de 2,53 kg por cavalo.
Se você acompanha lançamentos de esportivos artesanais e edições limitadas de fabricantes britânicos tradicionais, vale conferir a galeria oficial da Morgan com detalhes de construção do Midsummer Coupé no site da fábrica. A marca também mantém arquivo histórico aberto ao público em Malvern, com modelos de todas as décadas desde 1909, incluindo protótipos e carros de competição que nunca chegaram à produção em série.








