A MG cancela apresentação do MG07 após público acusar plágio do Porsche Taycan, encerrando de forma abrupta o evento de lançamento do sedã elétrico que deveria marcar a entrada da marca chinesa no segmento premium de veículos eletrificados. A decisão aconteceu durante a transmissão ao vivo do evento na China, quando a enxurrada de comentários negativos nas redes sociais tornou insustentável a continuidade da apresentação. O modelo, que tinha tudo para ser celebrado como avanço tecnológico da SAIC Motor, virou alvo de críticas pelo design excessivamente similar ao esportivo alemão e ao Xiaomi SU7, outro elétrico chinês recente.
A polêmica não é novidade no mercado automotivo chinês, onde a linha entre inspiração e cópia sempre foi tênue. Mas o caso do MG07 ganhou proporção diferente porque aconteceu em tempo real, com a própria fabricante assistindo o evento desmoronar diante das câmeras. Vale notar que a MG, embora tenha raízes britânicas, pertence ao grupo chinês SAIC desde 2007 e usa essa herança europeia para justificar designs mais ousados. Só que dessa vez a ousadia passou do ponto.
O que levou a MG a cancelar o lançamento do MG07
Durante a transmissão ao vivo do evento de apresentação, realizada em plataformas digitais chinesas, o chat explodiu com comparações diretas entre o MG07 e o Porsche Taycan. Comentários apontavam semelhanças na linha de cintura, no desenho dos faróis traseiros em barra contínua, na silhueta fastback e até na proporção das rodas em relação ao conjunto da carroceria. Quando imagens do Xiaomi SU7 começaram a circular lado a lado com o MG07, a situação ficou insustentável.
A SAIC Motor não emitiu comunicado oficial explicando os motivos técnicos do cancelamento. Fontes próximas à operação chinesa da marca indicaram que a decisão partiu da alta direção, preocupada com o impacto negativo da repercussão nas vendas futuras e na imagem da MG no mercado global. A marca tem operações consolidadas em mercados como Tailândia, Índia, Austrália e Brasil, onde construiu reputação com modelos como MG ZS, MG5 e o recente MG4 elétrico.
O timing do cancelamento chamou atenção porque aconteceu cerca de 40 minutos após o início da transmissão, momento em que os executivos da MG apresentavam os diferenciais tecnológicos do sedã. A interrupção foi feita sem aviso prévio, com a tela simplesmente escurecendo e uma mensagem genérica sobre problemas técnicos. Horas depois, o vídeo foi removido das plataformas oficiais da marca.
Comparação entre MG07, Porsche Taycan e Xiaomi SU7
Para entender a dimensão da polêmica, é preciso olhar os três modelos lado a lado. O Porsche Taycan, lançado em 2019, estabeleceu o padrão estético para sedãs elétricos esportivos com sua linha baixa, para-brisa inclinado, teto que desce suavemente até a traseira e lanternas conectadas por barra de LED. O conjunto transmite agressividade contida, característica da linguagem de design da Porsche desde o 911.
O Xiaomi SU7, apresentado em dezembro de 2023, trouxe proposta similar: sedã elétrico de quatro portas, perfil fastback, faróis finos na dianteira e traseira integrada com barra luminosa. A Xiaomi, fabricante chinesa de eletrônicos que entrou no mercado automotivo, não escondeu as referências ao Taycan, mas adicionou elementos próprios na grade frontal e no desenho das saídas de ar laterais. O modelo gerou polêmica, mas foi lançado e está à venda na China com preços a partir de 215.900 yuans, cerca de R$ 165 mil na conversão direta.
Já o MG07 apareceu com proposta que mistura elementos dos dois. As imagens vazadas antes do evento oficial mostravam:
- Silhueta fastback com inclinação de teto praticamente idêntica à do Taycan
- Lanterna traseira em barra contínua com assinatura luminosa semelhante
- Grade frontal fechada com desenho que remete ao SU7
- Proporção de rodas e distância entre-eixos similar ao modelo alemão
- Vinco lateral na linha de cintura com ângulo parecido
A diferença ficava nos detalhes: emblema MG no capô, para-choque dianteiro com entradas de ar maiores e acabamento interno que seguia a linguagem atual da marca chinesa, com telas integradas e materiais de custo menor. Mas o conjunto geral era inegavelmente similar aos concorrentes, o que alimentou a percepção de cópia.
Histórico de polêmicas de design no mercado chinês
A indústria automotiva chinesa tem histórico extenso de modelos acusados de plagiar designs ocidentais. Casos emblemáticos incluem o Landwind X7, cópia descarada do Range Rover Evoque que resultou em processo judicial na Europa, e o Zotye SR9, réplica quase perfeita do Porsche Macan. A diferença é que esses modelos foram lançados e vendidos, mesmo sob críticas.
O que mudou com o MG07 foi o ambiente. Primeiro, a MG não é marca genérica chinesa, é player global com presença em mais de 80 países e ambições de competir com marcas estabelecidas. Segundo, o público consumidor chinês está mais exigente e menos tolerante com cópias, especialmente quando a marca tenta posicionar o produto como premium. Terceiro, as redes sociais amplificam qualquer deslize em minutos, tornando impossível controlar a narrativa.
A própria Porsche nunca processou fabricantes chineses por cópias de design, estratégia diferente da adotada por Land Rover e Jaguar. A marca alemã prefere reforçar seus diferenciais de engenharia, acabamento e experiência de condução, apostando que o consumidor com poder aquisitivo para comprar um Taycan (a partir de R$ 630 mil no Brasil) não vai optar pela cópia chinesa. Mas o dano de imagem para quem copia existe, e foi isso que a MG quis evitar ao cancelar o evento.
Impacto da polêmica para a MG no Brasil e mercados globais
No mercado brasileiro, a MG vem construindo presença sólida desde 2020, quando retomou as operações com o SUV compacto ZS. O portfólio atual inclui ZS (combustão e híbrido), MG5 (sedã médio) e MG4 Electric, hatchback elétrico que chegou em 2024 com preço competitivo de R$ 149.990. A marca aposta na relação custo-benefício e na rede de concessionárias em expansão, com 52 pontos de venda no país segundo dados da ANFAVEA de janeiro de 2025.
A polêmica do MG07 não afeta diretamente as vendas brasileiras porque o modelo não estava confirmado para o mercado local. Mas arranha a imagem de marca que tenta se descolar da pecha de “chinesa barata”. O MG4 Electric, por exemplo, compete com BYD Dolphin Mini e GWM Ora 03, todos elétricos chineses na faixa de R$ 150 mil, e a percepção de qualidade de design pesa na decisão de compra.
Vale notar que a MG Brasil tem autonomia relativa para escolher quais modelos traz da matriz chinesa. O MG07, se vier, provavelmente passaria por ajustes de design antes do lançamento local, prática comum no setor. Mas o estrago de imagem já está feito, e concorrentes como BYD, que lançou o Seal (sedã elétrico com design próprio reconhecido) a partir de R$ 329.800, ganham vantagem competitiva.
Especificações técnicas vazadas do MG07
Antes do cancelamento, informações técnicas do MG07 circularam em sites especializados chineses. O sedã elétrico teria as seguintes características:
- Motorização: opções com motor elétrico único de 250 kW (340 cv) na traseira ou dual motor com 450 kW (612 cv) combinados, tração integral
- Bateria: pacote de 85 kWh ou 100 kWh com células LFP (litio-ferro-fosfato) fornecidas pela CATL
- Autonomia: até 620 km no ciclo CLTC chinês (equivalente a cerca de 520 km no WLTP europeu)
- Aceleração: 0-100 km/h em 3,8 segundos na versão dual motor
- Recarga: suporte para carga rápida de 150 kW, 10-80% em 28 minutos
- Dimensões: 4.935 mm de comprimento, 1.920 mm de largura, 1.450 mm de altura, entre-eixos de 2.950 mm
Os números colocavam o MG07 como concorrente direto do Xiaomi SU7 e do BYD Seal, mas distante do Porsche Taycan em termos de tecnologia de bateria (a Porsche usa células de 800V com recarga ultrarrápida de 270 kW). O preço estimado na China seria entre 250 mil e 320 mil yuans (R$ 190 mil a R$ 245 mil), posicionamento agressivo que poderia compensar a falta de originalidade no design. Mas a estratégia desmoronou antes de ser testada.
O que a MG pode fazer agora com o MG07
A SAIC Motor tem três caminhos possíveis. O primeiro é redesenhar o MG07 com mudanças significativas na dianteira e traseira, adiando o lançamento para o segundo semestre de 2025. Essa opção exige investimento alto em ferramental e validação, mas salva o projeto e a credibilidade da marca.
O segundo caminho é lançar o modelo apenas em mercados menos sensíveis à polêmica, como Sudeste Asiático e Oriente Médio, onde a comparação com Porsche tem peso menor porque o Taycan é artigo raro. O Brasil poderia entrar nessa lista, mas o risco de repercussão negativa existe.
O terceiro caminho, mais drástico, é cancelar definitivamente o MG07 e realocar recursos para outros projetos da linha elétrica da marca, como o MG Cyberster (roadster esportivo) e o MG ES5 (SUV elétrico médio). Essa decisão eliminaria o problema, mas representaria prejuízo financeiro considerável e admitiria publicamente o erro de estratégia.
Fontes do setor automotivo chinês indicam que a primeira opção é a mais provável. A SAIC teria iniciado conversas com o estúdio de design europeu responsável pelo projeto para ajustar linhas externas sem comprometer a aerodinâmica e a estrutura já validada. O processo levaria de quatro a seis meses, com novo lançamento previsto para setembro de 2025 no Salão de Xangai.
Perguntas frequentes sobre o cancelamento do MG07
Por que a MG cancelou a apresentação do MG07?
A MG interrompeu o evento de lançamento do sedã elétrico MG07 após receber enxurrada de comentários nas redes sociais acusando o modelo de plagiar o design do Porsche Taycan e do Xiaomi SU7. A repercussão negativa em tempo real levou a direção da SAIC Motor a encerrar a transmissão e remover o conteúdo das plataformas oficiais.
O MG07 será lançado no Brasil?
Não há confirmação oficial sobre a chegada do MG07 ao mercado brasileiro. A polêmica do cancelamento na China torna improvável o lançamento no curto prazo. A MG Brasil tem autonomia para escolher modelos do portfólio global e provavelmente aguardará redesign do sedã antes de considerar importação.
Quais as semelhanças entre MG07 e Porsche Taycan?
As principais semelhanças incluem a silhueta fastback com teto descendente, lanterna traseira em barra contínua de LED, proporção de rodas em relação à carroceria, linha de cintura com vinco lateral e perfil geral de sedã esportivo elétrico. O conjunto visual gerou comparações imediatas com o modelo alemão.
Quanto custaria o MG07 na China?
Estimativas pré-lançamento indicavam preço entre 250 mil e 320 mil yuans (cerca de R$ 190 mil a R$ 245 mil na conversão direta). O posicionamento seria competitivo frente ao Xiaomi SU7 e BYD Seal, mas muito abaixo do Porsche Taycan, que na China parte de 898 mil yuans (aproximadamente R$ 685 mil).
A Porsche pode processar a MG por plágio de design?
A Porsche historicamente não processa fabricantes chineses por similaridade de design, preferindo reforçar diferenciais de engenharia e experiência de marca. Processos de propriedade intelectual automotiva são complexos e raramente bem-sucedidos, porque elementos isolados de design não têm proteção absoluta. A estratégia da marca alemã é manter distância pela qualidade, não pela via judicial.
Outros carros chineses já foram acusados de plágio?
Sim, diversos modelos chineses enfrentaram acusações semelhantes. O Landwind X7 copiou o Range Rover Evoque e foi alvo de processo na Europa. O Zotye SR9 replicou o Porsche Macan. O Hongqi E-HS9 tem semelhanças com o Rolls-Royce Cullinan. A diferença é que esses modelos foram lançados e vendidos, enquanto o MG07 teve apresentação cancelada antes de chegar ao mercado.
A decisão da MG de interromper o lançamento do MG07 marca mudança importante no mercado automotivo chinês. Fabricantes percebem que o público global está menos tolerante com cópias descaradas, e que a estratégia de oferecer tecnologia similar a preço menor não compensa o dano de imagem. Para quem acompanha o setor no Brasil, o recado é claro: marcas chinesas que querem competir de verdade precisam investir em design próprio, não em versões baratas de ícones estabelecidos. O MG4 Electric mostrou que a MG consegue fazer isso quando quer. Agora é esperar para ver se o MG07 ressurge com identidade própria ou vira apenas mais um caso de estudo sobre o que não fazer no lançamento de um carro.








