Consultor de vendas cumprimentando clientes em concessionária durante assinatura de financiamento de veículoFinanciamento de veículos tem melhor 1º semestre desde 2008

Financiamento de veículos tem melhor 1º semestre desde 2008 apesar dos juros altos, com vendas financiadas de carros novos e usados somando 3,78 milhões de unidades nos seis primeiros meses do ano. O número representa crescimento de 12,4% em relação ao mesmo período de 2023 e marca a melhor performance para um primeiro semestre em 16 anos, segundo dados consolidados da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (ACREFI) e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA).

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O desempenho surpreende porque acontece em cenário de taxa Selic acima de 10,5% ao ano e juros médios do crédito automotivo girando entre 1,8% e 2,3% ao mês nas principais instituições financeiras. A explicação está na maior oferta de crédito pelos bancos, que voltaram a enxergar o financiamento de veículos como linha de negócio rentável depois de três anos de restrição durante a pandemia e a crise de semicondutores.

Por que o crédito automotivo voltou a crescer em 2024

A retomada do financiamento de veículos reflete três movimentos simultâneos no mercado brasileiro. Primeiro, os bancos aumentaram os limites de crédito e voltaram a aprovar operações com prazos mais longos, chegando a 60 meses para carros novos e 48 meses para usados em condições normais de análise. Segundo, a frota nacional envelheceu durante a pandemia, quando muita gente adiou a troca do carro, criando demanda reprimida que agora se materializa em contratos. Terceiro, as montadoras e concessionárias voltaram a oferecer taxas subsidiadas em campanhas pontuais, principalmente para zerar estoques de modelos em fim de linha.

O Banco Central registrou saldo de R$ 287,4 bilhões em operações de crédito para aquisição de veículos em junho de 2024, volume 18,7% superior ao de junho de 2023. A inadimplência nessa modalidade permanece controlada em 2,8% para atrasos acima de 90 dias, patamar considerado saudável pelas instituições financeiras e que explica o apetite dos bancos por esse tipo de operação.

Dados do Banco Central mostram que o crédito para veículos cresceu 18,7% em 12 meses, atingindo R$ 287,4 bilhões em junho de 2024, com inadimplência controlada em 2,8%.

Carros novos versus usados no financiamento

Do total de 3,78 milhões de veículos financiados no primeiro semestre, aproximadamente 1,42 milhão correspondem a carros zero quilômetro e 2,36 milhões a seminovos e usados. A proporção mostra que o mercado de usados continua dominando o volume de contratos, respondendo por 62,4% das operações, enquanto os novos ficam com 37,6%.

A diferença se explica pelo ticket médio. Um carro novo popular como Fiat Argo ou Chevrolet Onix parte de R$ 75 mil na versão básica, valor que exige entrada mínima de R$ 22.500 (30%) e parcelas próximas de R$ 1.450 em 48 meses. Já um seminovo de três anos do mesmo modelo sai por volta de R$ 55 mil na tabela FIPE, com entrada de R$ 16.500 e parcelas de R$ 1.060 no mesmo prazo, diferença que cabe no orçamento de mais famílias.

Taxas praticadas pelos principais bancos

As taxas de juros do financiamento de veículos variam conforme o banco, o perfil do cliente e o valor da entrada. Levantamento feito em julho de 2024 nas principais instituições mostra o seguinte cenário:

  • Banco do Brasil: 1,79% a 2,19% ao mês para carros novos com entrada de 30% ou mais
  • Caixa Econômica Federal: 1,85% a 2,25% ao mês nas mesmas condições
  • Itaú: 1,99% a 2,49% ao mês, com possibilidade de redução para clientes com relacionamento
  • Bradesco: 1,95% a 2,39% ao mês para veículos zero quilômetro
  • Santander: 2,09% a 2,59% ao mês, com campanhas pontuais em modelos específicos

Para carros usados, as taxas sobem entre 0,3 e 0,8 ponto percentual em relação aos novos, porque o risco de inadimplência é estatisticamente maior e o valor residual do bem dado como garantia cai mais rápido. Um seminovo de cinco anos, por exemplo, costuma enfrentar juros de 2,4% a 3,1% ao mês nas mesmas instituições.

Consórcio como alternativa ao financiamento tradicional

O consórcio de veículos também registrou crescimento no primeiro semestre de 2024, com 487 mil novas cotas vendidas, alta de 9,2% em relação ao ano anterior segundo a Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (ABAC). A modalidade atrai quem tem prazo flexível para compra e quer evitar os juros do CDC (Crédito Direto ao Consumidor).

No consórcio, o comprador paga taxa de administração entre 15% e 20% do valor total do bem, diluída nas parcelas mensais, mas não paga juros. Uma cota de R$ 80 mil em 60 meses sai por volta de R$ 1.467 mensais, valor próximo do financiamento tradicional, porém sem o custo financeiro embutido. O problema é a incerteza: você só recebe a carta de crédito quando for contemplado em sorteio ou der lance, o que pode demorar meses ou anos dependendo da sorte e da estratégia.

Para quem precisa do carro imediatamente, o consórcio não resolve. Para quem planeja a compra com 12 a 24 meses de antecedência e pode esperar, a economia em relação ao financiamento chega a R$ 8 mil ou R$ 10 mil em um veículo de R$ 80 mil, dependendo da taxa de juros vigente no CDC.

Impacto dos juros altos no custo total da operação

Mesmo com a retomada do crédito, os juros elevados pesam no bolso. Um financiamento de R$ 60 mil em 48 meses a 2,19% ao mês resulta em parcela de R$ 1.655 e custo total de R$ 79.440, ou seja, você paga R$ 19.440 de juros ao longo do contrato. Se a taxa subir para 2,59% ao mês, a parcela vai para R$ 1.715 e o custo total para R$ 82.320, acréscimo de R$ 2.880 no total da operação.

Por isso, vale notar que aumentar a entrada reduz o impacto dos juros de forma desproporcional. Com entrada de 40% em vez de 30% no mesmo exemplo, você financia R$ 48 mil em vez de R$ 60 mil. A parcela cai para R$ 1.324 e o custo total de juros para R$ 15.552, economia de R$ 3.888 em relação ao cenário com entrada menor. Na prática, cada R$ 1.000 a mais de entrada economiza cerca de R$ 320 em juros ao longo de 48 meses nas taxas atuais.

Simulação prática de financiamento

Para um Volkswagen Polo Track 2024, com preço de tabela em R$ 82.990:

  1. Entrada de 30% (R$ 24.897), financiamento de R$ 58.093 em 48 meses a 2,19% ao mês: parcela de R$ 1.604, custo total de R$ 77.092, juros de R$ 19.000
  2. Entrada de 40% (R$ 33.196), financiamento de R$ 49.794 em 48 meses a 2,19% ao mês: parcela de R$ 1.375, custo total de R$ 66.000, juros de R$ 16.206
  3. Entrada de 50% (R$ 41.495), financiamento de R$ 41.495 em 48 meses a 2,19% ao mês: parcela de R$ 1.146, custo total de R$ 55.008, juros de R$ 13.513

A diferença entre financiar com 30% ou 50% de entrada chega a R$ 5.487 em juros, valor que compraria dois anos de seguro do mesmo veículo ou cobriria cinco revisões na concessionária.

Perspectivas para o segundo semestre de 2024

O mercado de financiamento de veículos deve manter o ritmo no segundo semestre, mas enfrenta dois ventos contrários. Primeiro, a expectativa de nova alta da Selic caso a inflação não ceda, o que pressionaria as taxas do crédito automotivo para cima. Segundo, o calendário eleitoral de outubro costuma travar decisões de compra de bens duráveis, fenômeno que se repete a cada dois anos no Brasil.

Por outro lado, a Black Friday de novembro e as campanhas de fim de ano das montadoras devem compensar parte da desaceleração eleitoral. Historicamente, novembro e dezembro concentram 22% das vendas anuais de veículos, puxadas por consumidores que recebem 13º salário e por empresas que aproveitam benefícios fiscais para renovar frotas antes do fechamento do exercício.

As instituições financeiras consultadas projetam fechar 2024 com 7,8 milhões a 8,1 milhões de veículos financiados, volume que representaria crescimento de 10% a 14% em relação a 2023 e consolidaria a recuperação do crédito automotivo aos patamares pré-pandemia.

Perguntas frequentes sobre financiamento de veículos

Qual a taxa média de juros para financiar um carro novo em 2024?

A taxa média gira entre 1,79% e 2,59% ao mês nos principais bancos, dependendo da entrada, do prazo e do relacionamento do cliente com a instituição. Clientes com conta salário ou aplicações no banco conseguem taxas próximas do piso da faixa.

Vale a pena financiar carro usado ou é melhor juntar dinheiro?

Depende da urgência e do custo de oportunidade. Se você precisa do carro para trabalhar e o transporte público não resolve, o financiamento faz sentido mesmo com juros. Se pode esperar 12 a 18 meses e tem disciplina para poupar, juntar o dinheiro economiza os juros, que chegam a 30% do valor financiado em contratos de 48 meses.

Consórcio ou financiamento, qual compensa mais?

Consórcio compensa para quem tem prazo flexível e pode esperar a contemplação. A economia em relação ao financiamento fica entre 15% e 25% do valor do bem. Financiamento é para quem precisa do carro imediatamente e aceita pagar os juros pela disponibilidade imediata do crédito.

Posso antecipar parcelas do financiamento sem multa?

Sim, a legislação brasileira garante o direito de quitar antecipadamente com redução proporcional dos juros. A maioria dos bancos permite antecipação parcial ou total pelo aplicativo, com recálculo automático do saldo devedor. Vale conferir se o banco usa a Tabela Price ou SAC, porque o método de amortização afeta quanto você economiza na antecipação.

Qual o prazo máximo para financiar um carro?

Para carros novos, o prazo máximo é de 60 meses na maioria dos bancos. Para usados, o limite cai para 48 meses, podendo chegar a 36 meses em veículos com mais de oito anos de fabricação. Prazos mais longos reduzem a parcela, mas aumentam significativamente o custo total de juros.

É possível trocar de carro antes de quitar o financiamento?

Sim, mas você precisa quitar o saldo devedor antes de transferir o veículo. Na prática, a concessionária faz a avaliação do seu carro, abate o saldo devedor do valor de mercado e usa a diferença como entrada no novo financiamento. Se o saldo devedor for maior que o valor do carro, você fica com dívida residual que precisa cobrir com dinheiro próprio ou incorporar no novo contrato.

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