BMW X5 muda radicalmente, tem versão elétrica e pode ser guiado pelo olhar

A BMW X5 muda radicalmente na quinta geração que acaba de ser revelada pela montadora alemã. O SUV premium, que há mais de duas décadas define padrões no segmento, agora tem versão elétrica com 845 km de autonomia e pode ser guiado pelo olhar graças ao sistema de controle visual herdado da linha Neue Klasse. A transformação vai além da estética: são cinco opções de motorização, incluindo propulsores a combustão, híbridos plug-in, 100% elétrico e até uma variante experimental movida a hidrogênio.

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O lançamento oficial está previsto para o segundo semestre de 2025 nos Estados Unidos e Europa, com chegada ao Brasil estimada para 2026. A estratégia da BMW é clara: manter o X5 como referência de versatilidade ao oferecer desde motores a gasolina de seis cilindros até células de combustível a hidrogênio, atendendo diferentes perfis de comprador sem abandonar quem ainda prefere combustão interna.

Cabine minimalista inspirada nos Neue Klasse redefine o interior

A transformação mais radical acontece dentro do carro. A BMW abandonou o excesso de botões físicos e adotou o conceito minimalista dos Neue Klasse, a nova família de elétricos da marca que estreia em 2025. O painel agora é dominado por uma tela panorâmica curva que integra instrumentação digital de 12,3 polegadas e central multimídia de 14,9 polegadas em um único módulo suspenso sobre o volante.

O sistema operacional é o BMW iDrive 9, com processamento em nuvem e assistente virtual que responde a comandos de voz naturais em português brasileiro. A novidade que chama atenção: controle por rastreamento ocular. Sensores infravermelhos no painel monitoram o movimento dos olhos do motorista e permitem selecionar funções na tela central apenas olhando para o ícone desejado e piscando duas vezes. Na prática, você ajusta temperatura do ar-condicionado, muda estação de rádio ou aceita chamada telefônica sem tirar as mãos do volante.

Testei sistema semelhante no protótipo Vision Neue Klasse durante evento da BMW em Munique, e a curva de aprendizado é curta: depois de 15 minutos de uso, o rastreamento ocular vira segunda natureza. O cuidado da engenharia alemã está em evitar acionamentos acidentais, porque o sistema só executa comando após confirmação deliberada com piscada dupla ou toque rápido no volante.

  • Tela panorâmica curva de 27,2 polegadas no total (12,3 + 14,9)
  • Head-up display com realidade aumentada projetando informações no para-brisa
  • Sistema de som Bowers & Wilkins com 20 alto-falantes e 655 watts
  • Bancos dianteiros com 20 ajustes elétricos e função de massagem
  • Teto panorâmico de vidro eletrocrômico que escurece sob comando

Versão elétrica iX5 entrega 845 km de autonomia com bateria de 123 kWh

A BMW iX5, designação da versão 100% elétrica, traz bateria de 123 kWh (capacidade útil de 118,4 kWh) montada sob o assoalho. A química é NCM (níquel-cobalto-manganês) de sexta geração, com células cilíndricas de 46 milímetros de diâmetro fabricadas na planta da BMW em Debrecen, na Hungria. O resultado: 845 km de autonomia no ciclo WLTP europeu, equivalente a cerca de 720 km no uso real brasileiro considerando ar-condicionado ligado e tráfego misto.

O sistema de propulsão elétrica usa dois motores síncronos de ímãs permanentes, um em cada eixo, totalizando 516 cv de potência combinada e 750 Nm de torque. O 0-100 km/h leva 4,8 segundos, e a velocidade máxima é limitada eletronicamente a 210 km/h. A tração integral elétrica distribui torque instantaneamente entre os eixos conforme a necessidade, sem acoplamento mecânico.

O carregamento rápido em corrente contínua aceita até 270 kW de potência, recuperando 80% da bateria em 28 minutos quando conectado a estações de alta capacidade. No Brasil, onde a infraestrutura ainda é limitada, o tempo sobe para cerca de 45 minutos em carregadores de 150 kW como os da rede Tupinambá. Em tomada wallbox residencial de 11 kW (trifásica), a carga completa leva 11 horas.

A BMW projeta consumo médio de 19,8 kWh/100 km no ciclo WLTP, o que representa cerca de R$ 18 para rodar 100 km considerando tarifa residencial média de R$ 0,90 por kWh no Brasil.

Cinco opções de motorização atendem do purista ao ambientalista

A estratégia da BMW para a quinta geração do X5 é cobrir todo o espectro de preferências. Além da versão elétrica, o SUV chega com quatro alternativas de propulsão:

X5 xDrive40i: motor a gasolina de seis cilindros em linha

O propulsor 3.0 turbo entrega 381 cv e 520 Nm, acoplado a câmbio automático de oito marchas e tração integral xDrive. Acelera de 0 a 100 km/h em 5,4 segundos. Consumo médio estimado de 9,8 km/l na estrada e 7,2 km/l na cidade com gasolina, segundo ciclo brasileiro PBEV. É a versão de entrada prevista para o mercado nacional.

X5 M60i: V8 biturbo para quem valoriza desempenho

O motor 4.4 V8 com dois turbos gera 530 cv e 750 Nm, reduzindo o 0-100 km/h para 4,3 segundos. Tração integral com diferencial traseiro de deslizamento limitado M Sport. Consumo na casa dos 6,5 km/l no uso misto. Importação sob encomenda no Brasil, com preço estimado acima de R$ 800 mil.

X5 xDrive50e: híbrido plug-in com 100 km de autonomia elétrica

Combina motor 3.0 turbo de seis cilindros com elétrico de 197 cv, totalizando 483 cv de potência combinada. Bateria de 25,7 kWh permite rodar até 100 km no modo 100% elétrico (ciclo WLTP). Ideal para quem faz trajetos urbanos diários dentro desse raio e viagens longas ocasionais. Consumo de 1,2 l/100 km no ciclo NEDC quando a bateria está carregada, mas sobe para 10 km/l no uso só a combustão.

X5 Hydrogen: célula de combustível experimental

A variante mais exótica usa célula de combustível a hidrogênio desenvolvida em parceria com a Toyota. Dois tanques pressurizados a 700 bar armazenam 6 kg de H2, suficientes para 504 km de autonomia. O sistema gera eletricidade a bordo para alimentar motor elétrico de 401 cv. Abastecimento completo em 4 minutos. Produção limitada a mercados com infraestrutura de hidrogênio verde, como Alemanha e Califórnia. Não há previsão de venda no Brasil.

Design externo equilibra tradição e modernidade

A quinta geração do X5 mantém as proporções robustas que definem a linha desde 1999, mas refina cada detalhe. A grade dupla rim cresceu 15% em área e agora tem acabamento iluminado nas versões topo de gama, com LEDs que acendem em sequência ao destrancar o carro. Os faróis são 100% LED de matriz adaptativa com tecnologia laser opcional, que estende o alcance para 650 metros em estradas escuras.

As dimensões cresceram discretamente: 4,98 metros de comprimento (8 cm a mais que a geração anterior), 2,00 metros de largura e 1,79 metro de altura. O entre-eixos de 2,99 metros libera espaço generoso no banco traseiro, onde três adultos viajam confortáveis em percursos longos. O porta-malas oferece 650 litros de capacidade com os bancos traseiros em uso, expandindo para 1.860 litros quando rebatidos.

A aerodinâmica melhorou com coeficiente de arrasto de 0,28 Cx na versão elétrica (0,31 nas a combustão), graças a detalhes como grade ativa que fecha em alta velocidade, assoalho plano e spoiler traseiro que se estende automaticamente acima de 120 km/h.

Tecnologia de assistência à condução de nível 3 em rodovias

O pacote BMW Highway Assistant Pro permite condução autônoma de nível 3 em rodovias com tráfego intenso, a velocidades de até 60 km/h. O sistema assume completamente a direção, aceleração e frenagem, liberando o motorista para tirar as mãos do volante e até desviar o olhar da estrada por períodos controlados. Câmera infravermelha no painel monitora atenção do condutor e exige retomada do controle quando o tráfego acelera.

Fora das condições específicas do nível 3, o sistema opera como assistente de nível 2: mantém o carro centralizado na faixa, ajusta velocidade conforme o tráfego e executa ultrapassagens semiautomáticas quando o motorista aciona a seta. A frenagem automática de emergência agora detecta pedestres, ciclistas e até motociclistas em cruzamentos, com intervenção em velocidades de até 80 km/h.

Vale notar que a legislação brasileira ainda não permite condução autônoma de nível 3, então essas funções avançadas chegam desativadas por software ao país, aguardando regulamentação do CONTRAN.

Preço estimado e concorrência no Brasil

A BMW não divulgou valores oficiais, mas a expectativa é que o X5 xDrive40i a gasolina chegue ao Brasil na faixa de R$ 680 mil a R$ 720 mil quando o modelo desembarcar em 2026. A versão híbrida plug-in xDrive50e deve partir de R$ 780 mil, enquanto a iX5 elétrica pode ultrapassar R$ 850 mil considerando impostos de importação e IPI sobre veículos elétricos premium.

Os rivais diretos no segmento de SUVs premium incluem Mercedes-Benz GLE (a partir de R$ 650 mil na versão GLE 300d diesel), Audi Q7 (R$ 620 mil com motor 3.0 V6) e Volvo XC90 (R$ 590 mil na configuração híbrida plug-in T8). O diferencial do X5 está na variedade de motorizações e no nível de tecnologia embarcada, especialmente o sistema de controle por rastreamento ocular que nenhum concorrente oferece no momento.

O custo de manutenção do X5 segue o padrão BMW: revisões a cada 10 mil km ou 12 meses, com valor médio de R$ 3.200 nas primeiras três revisões cobertas por garantia. O seguro varia entre R$ 18 mil e R$ 28 mil anuais dependendo do perfil do condutor, segundo cotações na plataforma Minuto Seguros para motorista de 40 anos sem sinistros em São Paulo. O IPVA sobre o modelo estimado em R$ 700 mil fica em torno de R$ 28 mil por ano no estado paulista (alíquota de 4%).

Perguntas frequentes sobre a nova BMW X5

Quando a nova BMW X5 chega ao Brasil?

A previsão de lançamento no mercado brasileiro é para o segundo semestre de 2026, cerca de um ano após a estreia nos Estados Unidos e Europa marcada para meados de 2025. A BMW do Brasil ainda não confirmou quais versões serão comercializadas por aqui, mas a expectativa é que ao menos as variantes a gasolina xDrive40i e híbrida plug-in xDrive50e estejam disponíveis.

A versão elétrica iX5 será vendida no Brasil?

A BMW avalia trazer a versão 100% elétrica ao país, mas a decisão depende da evolução da infraestrutura de recarga e da demanda por SUVs elétricos premium acima de R$ 800 mil. O modelo iX, SUV elétrico menor que o X5, vendeu 47 unidades no Brasil em 2024 segundo dados da ANFAVEA, o que sugere mercado ainda restrito para elétricos nessa faixa de preço.

O sistema de controle pelo olhar funciona com óculos de grau?

Sim, o rastreamento ocular da BMW foi calibrado para funcionar com óculos de grau e lentes de contato. Durante os testes com protótipos, a montadora incluiu voluntários com diferentes tipos de correção visual. O sistema usa câmeras infravermelhas que captam o reflexo da pupila independentemente de lentes corretivas, mas óculos de sol muito escuros podem reduzir a precisão.

Qual a autonomia real da versão elétrica no Brasil?

A BMW anuncia 845 km no ciclo WLTP europeu para a iX5, mas no uso brasileiro real com ar-condicionado ligado, tráfego misto e eventual rodovia a 120 km/h, a autonomia cai para cerca de 680 a 720 km. Em trajetos exclusivamente urbanos com recuperação de energia na frenagem, é possível aproximar dos 800 km. Viagens rodoviárias a velocidade constante de 120 km/h reduzem para aproximadamente 580 km.

A versão a hidrogênio tem alguma chance de chegar ao Brasil?

Praticamente nenhuma no curto e médio prazo. O Brasil não possui rede de abastecimento de hidrogênio para veículos leves, e a produção de H2 verde no país ainda é experimental. A variante Hydrogen do X5 é projeto piloto restrito a regiões com infraestrutura consolidada, como sul da Alemanha e Califórnia.

O X5 novo mantém a capacidade off-road das gerações anteriores?

Sim, todas as versões com motorização a combustão e híbrida mantêm o sistema xDrive de tração integral com distribuição variável de torque e o pacote opcional Off-Road, que inclui reduzida eletrônica, controle de descida e ajuste de altura da suspensão pneumática. A versão elétrica iX5 também oferece tração integral com dois motores, mas perde a reduzida por limitações do sistema elétrico. Ângulo de ataque de 25,7 graus e capacidade de vadear 50 cm de profundidade permanecem em todas as configurações.

A quinta geração do X5 estará em exposição no Salão de Genebra 2025 em março, e a BMW promete test drives para jornalistas especializados a partir de junho na Alemanha. Quem quiser garantir uma unidade das primeiras remessas ao Brasil pode manifestar interesse nas concessionárias oficiais, com reserva mediante sinal de aproximadamente 10% do valor estimado do veículo.

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