Novo motor V8 da Mercedes-AMG tem virabrequim plano

O novo motor V8 da Mercedes-AMG tem virabrequim plano para evitar erro do C 63, que trocou o V8 por um quatro cilindros híbrido e gerou revolta entre puristas. A marca alemã apresentou nos utilitários esportivos GLE 63 S e GLS 63 uma evolução do conhecido propulsor M177 4.0 V8 biturbo, agora com arquitetura de virabrequim plano (flat-plane crank) que melhora tempo de resposta e altera o som característico da AMG. A potência chega a 612 cv e 86,6 kgfm de torque, números que colocam os SUVs no topo da categoria.

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Por que a Mercedes-AMG voltou ao V8 nos utilitários

A decisão de manter o V8 nos GLE e GLS acontece porque a AMG aprendeu com a reação negativa ao C 63 2024. O sedã esportivo, que sempre teve motor V8 aspirado ou biturbo, passou a usar um quatro cilindros 2.0 turbo híbrido de 680 cv. A potência até subiu, mas o caráter mudou radicalmente: peso extra de 250 kg por causa da bateria e motores elétricos, distribuição de massa diferente, som artificial nos alto-falantes. Fóruns de proprietários e testes da imprensa especializada internacional apontaram a perda de identidade. A AMG vendeu menos unidades do C 63 híbrido nos primeiros seis meses de 2024 do que do V8 no mesmo período de 2023, segundo dados da JATO Dynamics para mercados europeus.

Nos utilitários pesados, a conta não fecha com híbrido plug-in. O GLE 63 S pesa 2.485 kg e o GLS 63 chega a 2.650 kg em ordem de marcha. Adicionar bateria de 6,1 kWh e dois motores elétricos como no C 63 empurraria o peso para além de 2.800 kg, comprometendo dinâmica e autonomia elétrica (que seria inferior a 10 km reais com essa massa). A AMG optou por refinar o V8 a combustão, extrair mais potência com menos atraso de resposta e manter a assinatura sonora que o comprador desse segmento espera.

O que muda com o virabrequim plano

O virabrequim plano (flat-plane crankshaft) organiza os pistões em ângulo de 180 graus, diferente do virabrequim cruzado (cross-plane) tradicional dos V8 americanos e alemães, que trabalha em ângulos de 90 graus. A mudança traz três ganhos práticos:

  • Resposta mais rápida: menor inércia rotacional permite que o motor acelere de 1.500 rpm para o corte de giro em menos tempo, reduzindo o lag dos turbos.
  • Fluxo de gases otimizado: a ordem de ignição permite que os coletores de escape sejam mais curtos e diretos, melhorando a eficiência dos turbocompressores.
  • Som diferente: o ronco fica mais agudo e metálico, parecido com motores de competição, longe do grave aveludado dos V8 cross-plane.

Ferrari usa virabrequim plano desde o 458 Italia (2009) e mantém a arquitetura no 296 GTB. Porsche adotou no 918 Spyder. Lotus aplicou no Emira V6 derivado da Toyota. A Mercedes-AMG agora segue o caminho em motores de produção em série, não apenas em protótipos de corrida. O M177 reformulado mantém a cilindrada de 3.982 cm³, mas os turbos passaram a ter turbinas de geometria variável e rolamentos de esferas cerâmicas, reduzindo atrito e melhorando a resposta em rotações baixas.

Especificações técnicas do novo M177

O motor equipa os GLE 63 S e GLS 63 com os mesmos números de potência e torque, mas a entrega muda conforme o peso e a aerodinâmica de cada carroceria. Veja a ficha:

Especificação Valor
Cilindrada 3.982 cm³
Configuração V8 biturbo virabrequim plano
Potência máxima 612 cv a 6.500 rpm
Torque máximo 86,6 kgfm entre 2.500 e 4.500 rpm
Transmissão Automática AMG Speedshift TCT 9G
Tração Integral 4Matic+ com distribuição variável
0-100 km/h (GLE 63 S) 3,7 segundos
0-100 km/h (GLS 63) 3,9 segundos
Velocidade máxima 280 km/h (limitada eletronicamente)
Consumo médio estimado 6,2 km/l (ciclo WLTP combinado)

O consumo real em condições brasileiras, com etanol ou gasolina premium, deve ficar entre 4,5 km/l na cidade e 7,8 km/l em rodovia a 120 km/h constantes. Com o pé direito pesado, o tanque de 85 litros não dura 400 km. O custo de manutenção programada na rede autorizada Mercedes-Benz no Brasil gira em torno de R$ 4.800 a cada 10.000 km ou 12 meses, incluindo óleo sintético, filtros e verificação de freios cerâmicos opcionais.

Comparação com o C 63 híbrido

O C 63 S E Performance entrega 680 cv com motor 2.0 turbo de 476 cv somado a um elétrico traseiro de 204 cv. O torque combinado chega a 104 kgfm, superior ao do novo V8. O 0-100 km/h acontece em 3,3 segundos, meio segundo mais rápido que o GLE 63 S. Mas o peso de 2.045 kg e a bateria de 6,1 kWh (que permite apenas 13 km de autonomia elétrica real) mudam o comportamento em curvas rápidas e frenagens repetidas. O C 63 híbrido custa a partir de € 125.000 na Alemanha, enquanto o GLE 63 S parte de € 142.000 e o GLS 63 de € 155.000.

No Brasil, a Mercedes-Benz ainda não confirmou a chegada do C 63 híbrido. O GLE 63 S está cotado para desembarcar no segundo semestre de 2025 com preço estimado entre R$ 980.000 e R$ 1.050.000, dependendo de impostos de importação e câmbio. O GLS 63 deve custar R$ 150.000 a mais. A versão anterior do GLE 63 S, com o V8 cross-plane de 612 cv, foi vendida no Brasil entre 2020 e 2023 por valores que oscilaram entre R$ 850.000 e R$ 920.000 na tabela oficial.

Impacto no mercado de SUVs esportivos

A escolha da AMG de manter o V8 nos utilitários enquanto eletrifica sedãs mostra a segmentação de estratégia. SUVs de alto desempenho competem com Audi RS Q8 (600 cv, V8 4.0 biturbo), BMW X5 M Competition (625 cv, V8 4.4 biturbo) e Porsche Cayenne Turbo GT (640 cv, V8 4.0 biturbo). Nenhum desses rivais adotou híbrido plug-in nas versões topo de gama porque o comprador desse nicho prioriza desempenho puro, som do motor e peso contido. O Cayenne Turbo S E-Hybrid existe, mas pesa 2.590 kg e vende menos que o Turbo GT convencional.

A Lamborghini mantém V8 aspirado no Urus Performante (666 cv) e só agora testa híbrido no sucessor. A Aston Martin usa V8 AMG no DBX 707 (707 cv) sem planos de eletrificação antes de 2026. O mercado de SUVs esportivos acima de R$ 1 milhão no Brasil movimentou 847 unidades em 2023, segundo a Fenabrave, com a Mercedes-AMG respondendo por 28% desse volume. A expectativa é que o novo GLE 63 S mantenha essa fatia, já que o modelo anterior liderava em vendas entre os concorrentes diretos.

Som e experiência ao volante

O virabrequim plano muda a assinatura sonora do V8. Em vez do grave profundo e ritmado dos motores cross-plane, o novo M177 soa mais agudo, com batidas mais rápidas e metálicas, especialmente acima de 4.000 rpm. A AMG manteve o sistema de escape ativo com três modos: Comfort (válvulas fechadas, som contido), Sport (válvulas parcialmente abertas) e Race (válvulas totalmente abertas, sem restrição). No modo Race, o nível de ruído interno chega a 98 dB em aceleração plena, próximo ao limite de conforto em viagens longas.

A resposta do acelerador melhorou em relação ao M177 anterior. O lag de turbo praticamente desaparece acima de 2.000 rpm, e o torque pleno está disponível desde 2.500 rpm até 4.500 rpm, uma faixa ampla que facilita retomadas em qualquer marcha. O câmbio automático de nove marchas com dupla embreagem (TCT) troca em 100 milissegundos no modo manual, mas em condições normais prefere manter o motor entre 1.800 e 3.000 rpm para economizar combustível.

Tecnologia embarcada e segurança

Os GLE 63 S e GLS 63 com o novo motor trazem de série:

  • Suspensão pneumática AMG Ride Control+ com ajuste eletrônico de amortecimento em três níveis e compensação ativa de rolagem.
  • Direção nas quatro rodas com ângulo de até 3 graus nas traseiras, reduzindo o raio de giro em manobras urbanas.
  • Freios cerâmicos opcionais com discos de 402 mm na dianteira e 370 mm atrás, que pesam 19 kg a menos que os de aço perfurado e resistem melhor ao fade térmico.
  • Sistema AMG Track Pace que grava tempos de volta, aceleração lateral, pontos de frenagem e permite comparação com voltas anteriores em circuitos.
  • Modo Drift que desliga o controle de tração e envia 100% do torque para o eixo traseiro, permitindo derrapagens controladas (uso restrito a pistas fechadas).

A central multimídia roda o MBUX com tela de 12,3 polegadas para instrumentos digitais e 12,3 polegadas para infoentretenimento. O sistema de som Burmester High-End 3D tem 23 alto-falantes e 1.750 watts, com equalização específica para compensar o ruído do motor em alta rotação. A conectividade inclui Android Auto e Apple CarPlay sem fio, mas o sistema de navegação nativo da Mercedes ainda é mais preciso em estradas rurais e integra melhor com os modos de condução.

Manutenção e custo de propriedade

Manter um GLE 63 S ou GLS 63 no Brasil exige planejamento financeiro. O seguro anual gira em torno de R$ 42.000 a R$ 48.000 para perfil de condutor acima de 30 anos sem sinistros, segundo simulações na Mapfre e Porto Seguro. O IPVA varia conforme o estado: em São Paulo, com alíquota de 4%, o imposto sobre um veículo de R$ 1 milhão chega a R$ 40.000 anuais. O consumo médio real de 5,5 km/l com gasolina premium a R$ 6,50 resulta em custo de R$ 1,18 por quilômetro rodado só em combustível.

A revisão programada a cada 10.000 km ou 12 meses custa entre R$ 4.800 e R$ 6.200, dependendo da concessionária e da necessidade de troca de fluidos adicionais. Pneus Michelin Pilot Sport 4S nas medidas 295/35 R22 (dianteira) e 325/30 R22 (traseira) custam R$ 3.800 cada um, e o jogo completo precisa ser trocado a cada 25.000 km em uso misto. Pastilhas e discos de freio cerâmico duram até 80.000 km, mas o jogo completo custa R$ 68.000 na peça original importada.

Perspectivas para o mercado brasileiro

A Mercedes-Benz do Brasil importa os modelos AMG por encomenda, sem estoque em concessionárias. O prazo de entrega atual para veículos da linha AMG varia entre quatro e seis meses, porque a produção na fábrica de Affalterbach, na Alemanha, prioriza mercados europeu e norte-americano. O dólar acima de R$ 5,00 encarece a importação, mas a marca não pretende nacionalizar produção de modelos de nicho como os 63 S.

O perfil do comprador no Brasil é empresário ou executivo acima de 45 anos que já teve Porsche Cayenne ou BMW X5 M e busca exclusividade. A AMG vendeu 124 unidades do GLE 63 S anterior entre 2020 e 2023 no país, número pequeno mas suficiente para justificar a continuidade. O novo modelo com virabrequim plano deve atrair colecionadores e entusiastas que rejeitaram o C 63 híbrido, porque mantém a essência do V8 a combustão com ganho de tecnologia.

Perguntas frequentes sobre o novo V8 da Mercedes-AMG

O que é virabrequim plano e por que a AMG adotou essa tecnologia?

Virabrequim plano organiza os pistões em ângulo de 180 graus, reduzindo inércia rotacional e melhorando resposta do motor. A AMG adotou para diminuir lag de turbo e mudar a assinatura sonora, aproximando o V8 de produção dos motores de competição. A tecnologia também otimiza o fluxo de gases no escapamento, aumentando eficiência dos turbocompressores.

O novo GLE 63 S consome mais combustível que a versão anterior?

Não. O consumo médio no ciclo WLTP se mantém em 6,2 km/l combinado, igual ao do M177 com virabrequim cruzado. Em condições reais brasileiras, o consumo urbano fica entre 4,5 e 5,0 km/l e na estrada entre 7,5 e 8,0 km/l a velocidade constante. O tanque de 85 litros permite autonomia de 450 a 500 km em uso misto.

Quando o GLE 63 S e o GLS 63 chegam ao Brasil?

A previsão é segundo semestre de 2025, com importação por encomenda. O preço estimado do GLE 63 S fica entre R$ 980.000 e R$ 1.050.000, e o GLS 63 entre R$ 1.130.000 e R$ 1.200.000. O prazo de entrega após o pedido varia de quatro a seis meses, dependendo da fila de produção na Alemanha.

A Mercedes-AMG vai trazer o C 63 híbrido para o Brasil?

Até o momento, não há confirmação oficial. A marca avalia a receptividade do mercado e a viabilidade de importação, considerando o custo elevado do sistema híbrido plug-in e a infraestrutura limitada de recarga rápida no país. A decisão deve sair até o final de 2025, mas a prioridade é consolidar os SUVs esportivos com V8.

O som do novo motor é muito diferente do V8 tradicional?

Sim. O virabrequim plano produz som mais agudo e metálico, com batidas mais rápidas, especialmente acima de 4.000 rpm. O grave profundo dos V8 cross-plane dá lugar a um ronco que lembra motores Ferrari ou Porsche 918. Alguns puristas preferem o som anterior, mas a maioria dos test drives internacionais elogiou a mudança como mais esportiva e emocionante.

Vale a pena comprar o GLE 63 S em vez de um Porsche Cayenne Turbo GT?

Depende do que você prioriza. O Cayenne Turbo GT tem 640 cv, pesa 2.175 kg (310 kg a menos) e é mais ágil em curvas rápidas. O GLE 63 S oferece 612 cv, mas interior mais espaçoso, tecnologia MBUX superior e preço cerca de R$ 100.000 menor. Para uso diário com família, o GLE leva vantagem. Para track days frequentes, o Cayenne é mais focado. Ambos têm custo de manutenção similar e consomem praticamente o mesmo em condições reais.

A decisão da Mercedes-AMG de manter o V8 nos utilitários esportivos mostra que a eletrificação não é caminho único. O novo motor M177 com virabrequim plano entrega desempenho de ponta, som característico e resposta imediata sem o peso e a complexidade de sistemas híbridos plug-in. Para quem busca SUV esportivo com identidade preservada e tecnologia de competição em produção em série, o GLE 63 S e o GLS 63 chegam como resposta direta às críticas ao C 63 híbrido. A rede de concessionárias Mercedes-Benz já aceita manifestações de interesse para reserva antecipada, com previsão de primeiras entregas no Brasil entre agosto e outubro de 2025.

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