A QR de julho: Hyundai i20 chega para encarar hatches e SUVs nas bancas com uma seleção de testes que mistura promessas de mercado e polêmicas. A revista Quatro Rodas de julho coloca o Hyundai i20 no centro da discussão, um hatchback médio que tenta conquistar espaço num mercado brasileiro dominado por SUVs compactos. A edição não para por aí: traz os elétricos BYD Sealion 7 e Leapmotor B10, um comparativo direto entre BYD Yuan Plus e Volvo EX30 Cross Country, e fecha com o controverso Jaguar Type 01, modelo que dividiu opiniões antes mesmo de chegar às ruas.
Hyundai i20: hatch médio que encara SUVs compactos
O Hyundai i20 aparece na edição de julho como uma aposta da marca sul-coreana para quem ainda prefere a dirigibilidade e o consumo de um hatchback tradicional. Com 4,04 metros de comprimento, o i20 fica entre o HB20 (3,94 m) e modelos como o Creta (4,31 m), mas sem a altura e o apelo visual dos SUVs. A estratégia da Hyundai passa por oferecer equipamentos de sobra e um motor turbo de 100 cv com 17,5 kgfm de torque, números que colocam o i20 acima do HB20 1.0 turbo (120 cv, mas com 17,5 kgfm também).
O motor 1.0 T-GDi trabalha com câmbio manual de seis marchas ou automático de dupla embreagem (DCT) de sete velocidades. Na prática, o câmbio DCT entrega trocas rápidas em modo esportivo, mas pode hesitar no trânsito lento da cidade, comportamento comum nesse tipo de transmissão. O consumo médio declarado pelo Inmetro fica em 13,2 km/l na cidade e 14,8 km/l na estrada com gasolina, valores competitivos para quem roda muito.
O i20 traz de série:
- Central multimídia de 8 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
- Ar-condicionado digital automático
- Sensor de estacionamento traseiro
- Controle de cruzeiro adaptativo (ACC) nas versões topo de linha
- Frenagem autônoma de emergência (AEB)
- Alerta de saída de faixa (LKA)
O preço sugerido parte de R$ 89.990 na versão Sense manual e chega a R$ 109.990 na Platinum DCT. Vale notar que o i20 compete diretamente com o Volkswagen Polo Track (R$ 86.990) e o Fiat Argo Trekking (R$ 92.490), mas enfrenta a preferência do brasileiro por SUVs como o Hyundai Creta (a partir de R$ 129.990) e o Volkswagen Nivus (R$ 104.990). O IPVA médio no estado de São Paulo fica em R$ 3.600 anuais para a versão topo, enquanto o seguro gira em torno de R$ 2.800 segundo cotações SUSEP para perfil padrão (homem, 35 anos, sem sinistros).
BYD Sealion 7 e Leapmotor B10: elétricos em teste
A edição de julho dedica páginas aos elétricos chineses que começam a chegar com força no Brasil. O BYD Sealion 7 é um SUV médio elétrico que mede 4,83 metros de comprimento, rival direto do Tesla Model Y. Equipado com bateria Blade LFP de 82,5 kWh, o Sealion 7 promete autonomia de 542 km no ciclo WLTP (o número real no Brasil costuma ficar 10 a 15% abaixo disso). O motor elétrico traseiro entrega 313 cv e 36,7 kgfm de torque, suficiente para acelerar de 0 a 100 km/h em 6,7 segundos.
O preço estimado para o Sealion 7 no Brasil fica na faixa de R$ 350.000 a R$ 400.000, posicionamento que coloca o modelo acima do BYD Dolphin (R$ 149.800) e do BYD Yuan Plus (R$ 229.800), mas abaixo do Tesla Model Y Long Range (R$ 449.990). A recarga rápida em DC de 150 kW permite ir de 30% a 80% em cerca de 30 minutos, tempo que na prática depende da disponibilidade de estações compatíveis na sua região.
Já o Leapmotor B10 chega como aposta da Stellantis no segmento de elétricos acessíveis. Sedã compacto de 4,73 metros, o B10 usa bateria de 69,9 kWh com autonomia declarada de 530 km no WLTP. O motor elétrico de 231 cv e 32,6 kgfm leva o carro de 0 a 100 km/h em 7,5 segundos, desempenho suficiente para uso urbano e estrada sem emoções fortes. O preço previsto fica entre R$ 180.000 e R$ 220.000, faixa que compete com o BYD Dolphin Plus e o Renault Megane E-Tech (ainda sem confirmação de chegada ao Brasil).
O custo de energia para rodar 15.000 km/ano com elétrico fica em média R$ 1.800, contra R$ 6.750 de um sedã 1.0 turbo flex a gasolina (R$ 5,50/litro, média 12 km/l), segundo dados da ABVE.
BYD Yuan Plus vs Volvo EX30 Cross Country: comparativo de elétricos compactos
O comparativo da edição de julho coloca frente a frente dois SUVs elétricos compactos com propostas diferentes. O BYD Yuan Plus (também vendido como Atto 3 em outros mercados) mede 4,45 metros e traz bateria Blade LFP de 50,1 kWh com autonomia de 320 km no WLTP. Motor de 204 cv e 31,6 kgfm, tração dianteira, 0 a 100 km/h em 7,3 segundos. Preço: R$ 229.800 na versão única.
O Volvo EX30 Cross Country tem 4,23 metros, bateria de 69 kWh (LFP) com autonomia de 476 km no WLTP. Motor de 272 cv e 34,7 kgfm, tração traseira, 0 a 100 km/h em 5,3 segundos. Preço estimado no Brasil: R$ 280.000 a R$ 320.000 quando chegar oficialmente (ainda sem data confirmada pela Volvo).
Comparação técnica:
| Especificação | BYD Yuan Plus | Volvo EX30 CC |
|---|---|---|
| Comprimento | 4,45 m | 4,23 m |
| Bateria | 50,1 kWh | 69 kWh |
| Autonomia WLTP | 320 km | 476 km |
| Potência | 204 cv | 272 cv |
| 0-100 km/h | 7,3 s | 5,3 s |
| Preço estimado | R$ 229.800 | R$ 280.000-320.000 |
O Yuan Plus entrega custo-benefício direto: equipamento completo (teto solar panorâmico, bancos em couro vegano, central de 12,8 polegadas giratória) e preço competitivo. O EX30 aposta em acabamento premium típico da Volvo, materiais reciclados no interior e desempenho superior. A escolha passa por quanto você valoriza autonomia e aceleração versus economia inicial de R$ 50.000 a R$ 90.000.
O IPVA do Yuan Plus em São Paulo fica em R$ 9.192 anuais (4% sobre R$ 229.800), enquanto o seguro médio segundo a SUSEP gira em torno de R$ 5.500 para perfil sem sinistros. O Volvo EX30, quando chegar, deve ter IPVA de R$ 11.200 a R$ 12.800 e seguro entre R$ 7.000 e R$ 9.000, refletindo o valor de mercado e a marca premium.
Jaguar Type 01: polêmica antes de rodar
A edição de julho fecha com o Jaguar Type 01, modelo que virou meme nas redes sociais antes mesmo de ser revelado oficialmente. A Jaguar anunciou uma reformulação completa da identidade visual em novembro de 2024, com campanha publicitária que não mostrou nenhum carro, apenas modelos em roupas extravagantes e slogans genéricos. O Type 01 aparece como o primeiro modelo dessa nova era, um sedã elétrico de luxo que deve chegar em 2025 com preço estimado acima de £100.000 (R$ 750.000 na cotação atual).
As especificações técnicas ainda são escassas, mas a Jaguar confirmou:
- Plataforma JEA (Jaguar Electric Architecture) desenvolvida do zero
- Autonomia superior a 700 km no WLTP
- Recarga de 0 a 80% em menos de 15 minutos com carregador de 350 kW
- Potência acima de 500 cv nas versões de entrada
- Design que rompe completamente com a linguagem atual da marca
A polêmica gira em torno da estratégia de marketing. A Jaguar abandonou o tradicional público de entusiastas (fãs do XJ, F-Type, E-Type clássico) para mirar em compradores de Tesla Model S Plaid e Porsche Taycan Turbo S. O problema: a campanha alienou a base fiel sem conquistar claramente o novo público. Comentários no YouTube da Jaguar UK ficaram 80% negativos, segundo análise de sentimento da ferramenta Social Blade em dezembro de 2024.
O Type 01 não tem previsão de chegada ao Brasil. A Jaguar Land Rover Brasil encerrou a importação de modelos Jaguar em 2023, mantendo apenas a linha Land Rover e Range Rover. Para o Type 01 chegar aqui, a JLR precisaria reabrir a operação Jaguar, o que exigiria volume mínimo de 500 unidades/ano para justificar a estrutura de concessionárias e peças, segundo estimativas da ANFAVEA.
O que esperar da edição de julho nas bancas
A Quatro Rodas de julho oferece um panorama do mercado em transição: hatches tradicionais tentando sobreviver (i20), elétricos chineses chegando com força (Sealion 7, B10, Yuan Plus), marcas premium europeias ajustando estratégia (Volvo EX30) e reposicionamentos arriscados (Jaguar Type 01). A revista traz ainda seções tradicionais de serviço (manutenção, dúvidas de leitores, recall) e o ranking de vendas de junho com análise da ANFAVEA.
Para quem acompanha o mercado automotivo brasileiro, a edição serve como termômetro: o i20 mostra que ainda existe espaço para hatches bem equipados, mas o preço precisa ser agressivo. Os elétricos chineses provam que autonomia de 300 km já não impressiona, o novo patamar é 500 km reais. O comparativo BYD vs Volvo expõe a diferença entre custo-benefício e premium de verdade. O Jaguar Type 01 funciona como alerta: rebranding sem produto concreto gera meme, não vendas.
A revista está disponível em bancas, aplicativo Quatro Rodas (R$ 9,90 edição avulsa) e assinatura digital (R$ 14,90/mês com acesso ao arquivo completo desde 1960). Assinantes Globo+ têm acesso incluído no plano.
Perguntas frequentes sobre a QR de julho
O Hyundai i20 chega oficialmente ao Brasil?
Não há confirmação oficial da Hyundai Motor Brasil sobre a importação do i20. O modelo testado pela Quatro Rodas é uma unidade de imprensa europeia. A Hyundai prioriza SUVs (Creta, Tucson) e o HB20 no mercado nacional, onde hatches médios importados enfrentam IPI de 35% e ICMS médio de 12%, encarecendo o produto final.
Qual a autonomia real do BYD Sealion 7 no Brasil?
A autonomia WLTP de 542 km tende a cair para 460 a 490 km em uso misto real no Brasil, considerando temperatura média de 25°C, uso de ar-condicionado e trânsito urbano. Testes independentes da ABVE com modelos BYD mostram redução média de 12% entre ciclo WLTP e uso real brasileiro.
O Volvo EX30 Cross Country já tem data de lançamento no Brasil?
A Volvo Car Brasil não confirmou data oficial. A expectativa do mercado aponta para segundo semestre de 2025, mas depende da capacidade de produção da fábrica chinesa (Geely) e da estratégia de importação da marca, que prioriza modelos acima de R$ 300.000 para diluir custos de homologação.
Por que o Jaguar Type 01 gerou tanta polêmica?
A campanha de rebranding da Jaguar em novembro de 2024 mostrou apenas modelos fashion e slogans genéricos, sem nenhum carro. A estratégia alienou entusiastas da marca (fãs de modelos clássicos e esportivos) sem apresentar produto concreto para o novo público-alvo. O resultado foi reação negativa massiva nas redes sociais e queda de 15% no valor de mercado da JLR na bolsa de Londres na semana seguinte ao anúncio.
Vale a pena comprar elétrico no Brasil em 2025?
Depende do seu perfil de uso. Para quem roda até 100 km/dia com possibilidade de recarga em casa (tomada de 220V ou wallbox), o custo operacional é 65% menor que combustão. Para quem depende de recarga pública, o custo sobe (R$ 2,50 a R$ 3,50/kWh em estações rápidas) e a autonomia vira limitação em viagens longas. A infraestrutura de recarga no Brasil tem 5.200 pontos públicos segundo a ABVE, concentrados em capitais e eixo Rio-São Paulo-Curitiba.
Onde comprar a revista Quatro Rodas de julho?
A edição de julho está disponível em bancas de todo o país, no aplicativo Quatro Rodas (iOS e Android) por R$ 9,90 a edição avulsa, e para assinantes digitais por R$ 14,90/mês. Assinantes Globo+ têm acesso incluído. A revista também pode ser adquirida na loja oficial da Editora Globo (loja.edglobo.com.br) com entrega via Correios.








