A VW ID. Buzz percorre 90.000 km pelo mundo e desembarca no Brasil para bater recorde, trazendo a expedição mais ambiciosa já realizada com um veículo elétrico até o território nacional. Rainer Zietlow, aventureiro alemão conhecido por quebrar recordes de distância em Volkswagen, chegou a São Bernardo do Campo (SP) pilotando a Kombi elétrica depois de cruzar 78 países em seis continentes. A parada no ABC paulista marca a reta final de uma jornada que começou em setembro de 2023 e pretende comprovar a viabilidade de veículos 100% elétricos em condições extremas de uso, das estradas geladas do Alasca ao calor do deserto africano.
O projeto batizado de ID. Buzz Around the World não é só aventura: é teste de resistência real para a tecnologia elétrica da Volkswagen. Zietlow rodou por terrenos onde a infraestrutura de recarga é inexistente ou precária, enfrentou variações de temperatura de -30°C a +50°C e acumulou dados sobre autonomia, degradação de bateria e desempenho do sistema de tração elétrica em uso contínuo. A passagem pelo Brasil integra a última etapa antes do retorno à Alemanha, onde a ID. Buzz será embarcada para completar oficialmente a volta ao mundo e entrar para o livro dos recordes.
Quem é Rainer Zietlow e por que a ID. Buzz foi escolhida
Rainer Zietlow acumula 17 recordes mundiais de distância percorrida em Volkswagen. Entre seus feitos estão a travessia Pan-Americana em uma Amarok (2010), a primeira volta ao mundo em uma Kombi (2011) e a rota mais longa já feita em um Polo (2014). O alemão de 58 anos transformou expedições automotivas em laboratório de campo: cada viagem gera dados que a Volkswagen usa para validar durabilidade, consumo e comportamento de componentes fora do ambiente controlado de fábrica.
Para a volta ao mundo elétrica, a escolha recaiu sobre a ID. Buzz, a reinterpretação moderna da Kombi clássica lançada em 2022. O modelo combina design retrô com plataforma MEB, a base modular elétrica do Grupo Volkswagen. A versão usada na expedição é a ID. Buzz Pro com bateria de 82 kWh, motor elétrico traseiro de 204 cv e 310 Nm de torque, autonomia homologada de 423 km no ciclo WLTP e capacidade de recarga rápida de até 170 kW. Zietlow adaptou o interior para acomodar equipamentos de filmagem, ferramentas de emergência e um carregador portátil adicional, mas manteve a configuração de fábrica do sistema elétrico para validar a tecnologia de série.
“A ID. Buzz provou que um veículo elétrico pode ir a qualquer lugar, desde que você planeje as recargas com antecedência. Em países como Mongólia e Cazaquistão, onde não há rede pública de carregadores, usamos geradores solares portáteis e tomadas industriais de 220V em postos de gasolina. Levou mais tempo, mas funcionou.” — Rainer Zietlow
Rota de 90.000 km: da Alemanha ao Brasil passando por seis continentes
A expedição começou em Hannover, na Alemanha, em setembro de 2023. Zietlow seguiu para o leste europeu, atravessou a Rússia pela Transiberiana até Vladivostok e embarcou a ID. Buzz para o Japão. De lá, cruzou o Pacífico em navio até a costa oeste dos Estados Unidos, desceu pela Pan-Americana até o Chile, atravessou a Argentina e entrou no Brasil por Foz do Iguaçu. O roteiro incluiu países sem infraestrutura de recarga consolidada, como Quirguistão, Tajiquistão, Bolívia e Paraguai, onde o planejamento de cada etapa dependeu de mapear pontos de energia industrial, hotéis com tomadas compatíveis e apoio logístico de concessionárias Volkswagen locais.
No Brasil, Zietlow percorreu 3.200 km entre Foz do Iguaçu e São Bernardo do Campo, passando por Curitiba, Florianópolis e São Paulo. A passagem pela fábrica da Volkswagen no ABC paulista, onde a Kombi original foi produzida entre 1957 e 2013, tem valor simbólico: a ID. Buzz representa a eletrificação da linha que começou com a T1 a ar e chegou ao fim com a Kombi Last Edition. Na fábrica de São Bernardo, a equipe de Zietlow fez revisão completa do sistema de baterias, verificou o desgaste dos freios regenerativos e atualizou o software de gestão térmica antes do embarque para a Europa.
Desafios de infraestrutura e soluções improvisadas
A maior dificuldade da volta ao mundo elétrica não foi a autonomia da ID. Buzz, mas a ausência de rede de recarga em 60% dos países visitados. Zietlow carregou três tipos de adaptadores: Tipo 2 (padrão europeu), CCS Combo 1 (América do Norte) e tomadas industriais de 16A e 32A. Em locais sem carregador rápido, a recarga completa da bateria de 82 kWh levou até 14 horas em tomadas domésticas de 220V. O aventureiro documentou cada ponto de recarga usado, criando um mapa colaborativo que será disponibilizado para futuros viajantes elétricos.
- Mongólia: carregamento via gerador solar portátil de 5 kW em acampamento nômade, 8 horas para 60% de carga
- Bolívia: uso de tomada industrial trifásica em mineradora de lítio, recarga completa em 6 horas
- Paraguai: parceria com concessionária VW local que instalou carregador temporário de 22 kW
- Patagônia argentina: recarga em estação de energia eólica com ponto de 50 kW
Dados técnicos da ID. Buzz após 90.000 km de uso intenso
A Volkswagen acompanha remotamente o estado da ID. Buzz de Zietlow através de telemetria embarcada. Os dados coletados até a chegada ao Brasil mostram degradação de bateria de 4,2% em relação à capacidade original de 82 kWh, resultado dentro da média esperada para veículos elétricos com uso intenso. A autonomia real variou entre 310 km (condições de frio extremo no Alasca) e 450 km (temperaturas amenas na Europa Central), sempre considerando velocidade média de 90 km/h e uso moderado de ar-condicionado ou aquecimento.
O sistema de frenagem regenerativa acumulou 68% da energia de frenagem devolvida à bateria, reduzindo o desgaste das pastilhas mecânicas. Zietlow trocou os pneus originais Bridgestone Turanza Eco apenas uma vez, aos 55.000 km, e não registrou falhas no motor elétrico, inversor ou sistema de refrigeração da bateria. A única intervenção mecânica relevante foi a substituição de um rolamento da suspensão dianteira aos 72.000 km, desgaste atribuído às estradas de terra da Ásia Central.
Ficha técnica da VW ID. Buzz Pro usada na expedição: motor elétrico traseiro de 204 cv e 310 Nm, bateria de 82 kWh úteis, autonomia WLTP de 423 km, recarga rápida de 5% a 80% em 30 minutos (170 kW), comprimento de 4.712 mm, peso de 2.416 kg, porta-malas de 1.121 litros com bancos rebatidos.
Impacto no mercado brasileiro de elétricos e próximos passos
A passagem da ID. Buzz pelo Brasil acontece em momento estratégico para a Volkswagen. A montadora confirmou que a Kombi elétrica chegará ao mercado nacional em 2025, importada da fábrica de Hannover, com preço estimado entre R$ 450.000 e R$ 500.000. O modelo disputará o segmento de utilitários elétricos premium com a Mercedes-Benz EQV (R$ 620.000) e a BYD D1 (ainda sem preço confirmado para o Brasil). A autonomia de 423 km e o espaço interno de 1.121 litros com bancos rebatidos posicionam a ID. Buzz como alternativa para frotistas, aplicativos de transporte executivo e famílias que buscam veículo elétrico com capacidade de carga.
A infraestrutura de recarga no Brasil cresceu 140% em 2023, segundo dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), com 3.800 pontos públicos instalados. A concentração ainda é maior nas capitais do Sul e Sudeste, mas rodovias como a Régis Bittencourt (BR-116) e a Presidente Dutra (BR-116) já contam com carregadores rápidos a cada 150 km. A expedição de Zietlow demonstra que viagens de longa distância em elétricos são viáveis no território nacional, desde que o planejamento inclua paradas estratégicas e tempo adicional para recarga.
Próxima etapa: Europa e homologação do recorde
De São Bernardo do Campo, a ID. Buzz será embarcada no Porto de Santos para Hamburgo, na Alemanha. Zietlow retomará a viagem terrestre em março de 2024, cruzando a Europa Ocidental até retornar a Hannover, ponto de partida da expedição. A quilometragem final estimada é de 94.000 km, superando o recorde anterior de volta ao mundo em veículo elétrico, estabelecido em 2012 por Wiebe Wakker em um Citroën Berlingo convertido (95.000 km em três anos). A diferença é que Zietlow completará a rota em menos de sete meses, com veículo de fábrica sem modificações no sistema elétrico.
A Volkswagen usará os dados da expedição para calibrar algoritmos de gestão de bateria, validar a durabilidade de componentes em condições extremas e aprimorar o sistema de planejamento de rotas do software de navegação da linha ID. A montadora alemã investiu € 180 bilhões em eletrificação até 2030 e pretende que 70% das vendas globais sejam de modelos 100% elétricos ou híbridos plug-in até o fim da década. Expedições como a de Zietlow funcionam como marketing técnico: comprovam que a tecnologia funciona fora do laboratório e reduzem a resistência do consumidor que ainda vê o carro elétrico como limitado a trajetos urbanos curtos.
Perguntas frequentes sobre a expedição da VW ID. Buzz
Quanto tempo Rainer Zietlow levou para percorrer 90.000 km com a ID. Buzz?
A expedição começou em setembro de 2023 e deve terminar em março de 2024, totalizando cerca de sete meses. O tempo inclui paradas para manutenção, filmagens, eventos em concessionárias e travessias marítimas (Rússia-Japão e Brasil-Alemanha).
A VW ID. Buzz vendida no Brasil será igual à da expedição?
Sim. A versão Pro com bateria de 82 kWh, motor de 204 cv e autonomia de 423 km será a mesma oferecida no mercado brasileiro a partir de 2025. Zietlow não fez modificações no sistema elétrico, apenas adaptações internas para equipamentos de viagem.
Qual foi o maior desafio da volta ao mundo em veículo elétrico?
Encontrar pontos de recarga em países sem infraestrutura pública. Zietlow usou tomadas industriais, geradores solares portáteis e apoio de concessionárias VW locais. Em alguns trechos, a recarga completa levou até 14 horas.
A bateria da ID. Buzz degradou muito após 90.000 km?
A degradação foi de 4,2%, dentro da média para veículos elétricos com uso intenso. A Volkswagen garante a bateria por oito anos ou 160.000 km, com mínimo de 70% da capacidade original ao fim do período.
Quanto vai custar a VW ID. Buzz no Brasil?
A estimativa é entre R$ 450.000 e R$ 500.000, posicionando o modelo abaixo da Mercedes-Benz EQV (R$ 620.000). O preço final depende da política de importação e das alíquotas de IPI para veículos elétricos em 2025.
Onde acompanhar o restante da expedição?
Rainer Zietlow documenta a viagem no site oficial challenge4.com e nas redes sociais da Volkswagen. A montadora publica atualizações semanais com dados de quilometragem, consumo e pontos de recarga usados em cada país.

