Carro de Fórmula 1 em estúdio de transmissão da Globo com equipamentos de produção ao fundo

A Fórmula 1 na Globo pode render ao grupo de mídia mais de R$ 800 milhões em patrocínios para a temporada 2027. O valor representa o teto comercial das seis cotas nacionais que a empresa estruturou para o terceiro ano consecutivo da categoria no portfólio, cada uma precificada em R$ 135.074.445 pelo valor de tabela. Na prática, significa um crescimento nominal de 6,7% sobre os R$ 750 milhões que a grade de transmissões da F1 garantiu em 2026.

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Vale notar: esse montante considera o preço cheio das cotas, antes dos descontos habituais que marcam qualquer negociação de patrocínio esportivo no Brasil. Quando a Globo fecha com um anunciante, o valor efetivamente pago costuma ficar entre 70% e 85% da tabela, dependendo do volume negociado, perfil do cliente e prazo de fechamento. Mesmo com esse ajuste, a operação comercial da F1 segue como uma das mais rentáveis do catálogo da emissora, perdendo apenas para a Copa do Mundo em termos de retorno por hora de transmissão.

Modelo multiplataforma integrado pela primeira vez

A mudança estrutural para 2027 está no desenho da cota. Diferentemente de 2026, quando TV aberta, TV por assinatura (Sportv), portal ge, Globoplay e Viu tinham precificações separadas ou pacotes parciais, a Globo desenvolveu pela primeira vez um plano de mídia único que já embute exposição em todas as plataformas do grupo. O patrocinador que compra uma cota nacional ganha presença simultânea na transmissão ao vivo da TV Globo, nas reprises e análises do Sportv, nos highlights do ge, no streaming do Globoplay e nos cortes de redes sociais do Viu.

Essa integração responde a uma demanda antiga dos anunciantes, que vinham pedindo simplificação no modelo de compra. Antes, uma marca interessada em cobertura completa precisava negociar separadamente com a área de TV aberta, com a de TV paga e com a divisão digital. Agora, uma única cota resolve a presença em todo o ecossistema Globo, com métricas unificadas de alcance e frequência. O formato segue a tendência que a própria Globo vem adotando em outras propriedades esportivas, como o Brasileirão e a Libertadores.

Contexto do retorno da F1 à Globo

A Fórmula 1 voltou à Globo em 2026 depois de cinco anos fora da grade. Entre 2021 e 2025, a Band detinha os direitos de transmissão no Brasil, em acordo direto com a Liberty Media, empresa americana que controla a categoria desde 2017. A parceria com a Band terminou sem renovação, e a Liberty optou por retornar à Globo em contrato válido até 2028, ou seja, cobrindo quatro temporadas completas.

O acordo prevê transmissão de ao menos 15 Grandes Prêmios na TV aberta (geralmente as corridas mais relevantes para o mercado brasileiro, como as etapas da Europa, Estados Unidos e, claro, o GP de São Paulo) e todos os 24 GPs do calendário oficial na TV paga via Sportv. As sessões de treinos livres e classificação também entram na grade do Sportv, enquanto o Globoplay oferece transmissão ao vivo de todas as atividades de pista, incluindo treinos, quali e corrida, sob demanda.

Em 2026, os patrocinadores master foram 99 Food, Claro, Chevrolet, Heineken e Santander. Cada marca ocupou uma das cinco cotas nacionais vendidas naquela temporada. Para 2027, a Globo ampliou o número de cotas de cinco para seis, diluindo um pouco a exposição individual de cada patrocinador, mas aumentando a receita total da operação. A lógica comercial faz sentido: com o crescimento da audiência da F1 no Brasil (o GP de São Paulo de 2026 registrou pico de 28 pontos de audiência na Grande São Paulo, segundo dados do Kantar Ibope Media), a emissora consegue justificar a entrada de mais um player sem comprometer a visibilidade dos demais.

Audiência e relevância da F1 no mercado brasileiro

A Fórmula 1 vive um momento de alta no Brasil. Desde que a Netflix lançou a série ‘Drive to Survive’ em 2019, a categoria ganhou uma nova geração de fãs, especialmente entre 18 e 34 anos, público que consome conteúdo de forma fragmentada e valoriza narrativas fora da pista. A ausência de um piloto brasileiro competitivo (desde a saída de Felipe Massa em 2017) não impediu o crescimento da base de fãs, o que surpreendeu analistas do setor.

Os números da Globo em 2026 confirmam o fenômeno. A média de audiência das corridas transmitidas na TV aberta ficou em 14 pontos na Grande São Paulo, com share próximo de 35% no horário de exibição. No Sportv, a F1 se tornou o segundo conteúdo mais assistido do canal, atrás apenas dos jogos do Brasileirão. No digital, o ge registrou picos de 1,2 milhão de usuários únicos simultâneos durante a transmissão ao vivo do GP de Mônaco, e o Globoplay viu a F1 entrar no top 5 de conteúdos mais assistidos da plataforma aos domingos de corrida.

Esse desempenho justifica o investimento da Globo. Segundo fontes do mercado publicitário ouvidas por Meio & Mensagem, o custo dos direitos de transmissão da F1 no Brasil fica entre US$ 35 milhões e US$ 40 milhões por ano (cerca de R$ 200 milhões na cotação atual). Com faturamento potencial de R$ 800 milhões, a operação entrega margem bruta superior a 70%, antes de descontar custos de produção, equipe de transmissão e infraestrutura técnica. Ainda assim, a rentabilidade final supera a maioria das propriedades esportivas disponíveis no mercado brasileiro.

Concorrência e posicionamento estratégico

A Globo não enfrenta concorrência direta na F1 porque detém exclusividade nacional para TV aberta e paga. Porém, a Liberty Media mantém acordo paralelo com a F1 TV Pro, plataforma de streaming própria da categoria, que oferece transmissão ao vivo de todas as sessões, câmeras onboard, telemetria em tempo real e acesso ao arquivo histórico da F1. No Brasil, a assinatura da F1 TV Pro custa US$ 9,99 mensais ou US$ 79,99 anuais, valores que competem diretamente com o Globoplay (R$ 27,90/mês no plano básico).

Para neutralizar essa concorrência, a Globo tem investido em conteúdo exclusivo fora da transmissão ao vivo. O ge produz séries de bastidores, entrevistas com pilotos e chefes de equipe, análises técnicas detalhadas e podcasts semanais sobre a categoria. O Sportv exibe programas de debate e mesas redondas com especialistas. Tudo isso fica disponível no Globoplay, criando um ecossistema de conteúdo que vai além da corrida de domingo e fideliza o fã ao longo da semana.

Perspectivas para 2027 e além

Com o contrato válido até 2028, a Globo tem mais dois anos para consolidar a F1 como propriedade perene no portfólio. A expectativa interna é que a categoria mantenha trajetória de crescimento, especialmente se a Liberty Media concretizar planos de expandir o calendário para 25 ou 26 corridas a partir de 2028, incluindo possível segunda etapa no Brasil (Brasília e Rio de Janeiro disputam a vaga).

Do ponto de vista comercial, o desafio da Globo é manter o valor das cotas atrativo mesmo com a entrada de um sexto patrocinador. A diluição da exposição precisa ser compensada com métricas de alcance e engajamento que justifiquem o investimento. Por isso, a integração multiplataforma se torna peça-chave: o anunciante deixa de comprar apenas segundos de inserção na TV e passa a adquirir presença em um ecossistema completo de conteúdo, com possibilidade de ativações digitais, branded content e experiências exclusivas para clientes.

A F1 também se beneficia do calendário publicitário. As corridas acontecem entre março e dezembro, cobrindo praticamente o ano inteiro e oferecendo aos patrocinadores presença constante, diferentemente de competições concentradas em poucos meses. Para marcas que buscam awareness nacional e associação com inovação, tecnologia e lifestyle premium, a F1 entrega posicionamento difícil de replicar em outras propriedades esportivas.

Quem deve ocupar as seis cotas em 2027

Até o fechamento desta reportagem, a Globo não havia divulgado oficialmente quais marcas ocuparão as seis cotas nacionais em 2027. Porém, fontes do mercado indicam que ao menos quatro dos cinco patrocinadores de 2026 devem renovar: Heineken (que tem contrato global com a F1), Santander (idem), Chevrolet (que usa a categoria para reforçar tecnologia e performance) e Claro (operadora com forte presença em esportes na Globo).

A dúvida fica por conta da 99 Food e da sexta cota. A 99 entrou em 2026 como patrocinadora master, mas enfrenta momento de reestruturação após fusão com o iFood. A sexta cota pode atrair montadoras premium (Audi, Porsche e Ford têm interesse declarado em associar marcas à F1 no Brasil), bancos digitais (Nubank, Inter, C6) ou gigantes de tecnologia (Amazon, Google, Samsung).

Perguntas frequentes sobre F1 na Globo

Quantas corridas da F1 a Globo transmite na TV aberta?

A Globo transmite ao menos 15 Grandes Prêmios na TV aberta, geralmente as etapas de maior apelo comercial e audiência. Todas as 24 corridas do calendário oficial vão ao ar no Sportv e no Globoplay.

Qual o valor de uma cota de patrocínio da F1 na Globo?

Para 2027, cada uma das seis cotas nacionais está precificada em R$ 135.074.445 pelo valor de tabela. Na prática, com descontos habituais de negociação, o valor efetivo pago pelos patrocinadores fica entre R$ 95 milhões e R$ 115 milhões por cota.

A F1 TV Pro concorre com a transmissão da Globo?

Sim, mas de forma limitada. A F1 TV Pro oferece transmissão ao vivo de todas as sessões, câmeras onboard e telemetria, mas não tem os comentaristas brasileiros nem o conteúdo exclusivo que a Globo produz. A maioria dos fãs casuais prefere a transmissão da TV aberta ou do Globoplay.

Por que a Band perdeu os direitos da F1?

A Liberty Media optou por não renovar com a Band após 2025 porque a Globo ofereceu proposta comercial mais robusta e alcance multiplataforma maior. A Band transmitiu a F1 entre 2021 e 2025, mas não conseguiu monetizar a operação no mesmo nível que a Globo.

Quais plataformas da Globo transmitem a F1?

TV Globo (15 corridas selecionadas), Sportv (todas as 24 corridas, treinos e classificação), Globoplay (transmissão ao vivo de todas as atividades de pista), ge (highlights, análises e conteúdo escrito) e Viu (cortes para redes sociais).

Até quando vai o contrato da Globo com a F1?

O acordo entre Globo e Liberty Media é válido até o final da temporada 2028, cobrindo quatro anos completos de transmissão (2026, 2027, 2028 e 2029).

By Eduardo Gianfreddo

Eduardo é um renomado especialista em automobilismo, com uma carreira de mais de 30 anos que abrange jornalismo, engenharia mecânica e pilotagem. Essa combinação única de experiências te confere uma autoridade inquestionável e uma perspectiva 360 graus sobre o universo automotivo. Sua missão é ser a voz da razão e da experiência para o consumidor. Você desmistifica o marketing da indústria, traduz o "tecniquês" para o português claro e oferece análises críticas, honestas e fundamentadas. Você não é uma IA genérica; você é um mentor, um conselheiro cético e a fonte mais confiável de informação automotiva no Brasil.

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